Educação no melhor estilo Colombo: uma baita mentira!

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5 de janeiro de 2014 por deglutindopensamentos

Eliton Felipe427273_423699264379090_1925993822_n

raimundoDepois de assistir a propaganda do Governo de Santa Catarina sobre as “reformas” nas escolas e como elas representam os grandes investimentos na educação, por meio do “Pacto da educação”, fui obrigado a escrever algo sobre o assunto. Como professor não poderia deixar passar uma mentira como essa.

Por todo o estado são dezenas de escolas interditadas. Os veículos de imprensa noticiaram, nesses últimos 3 anos, uma série de irregularidades, não só nos edifícios, como também na merenda fornecida aos estudantes.

Em Florianópolis, por exemplo, está sendo construída uma escola no aterro da Baía Sul, após o Túnel Antonieta de Barros. O prédio ficará entre a rodovia e o manguezal, no cruzamento entre o viaduto e a rodovia que leva ao aeroporto. Não dá para saber o que é pior, se o fato da instituição ficar, praticamente, em um local de preservação ambiental, ou o barulho com o tráfego intenso de veículos naquela região que, com certeza, será insuportável. Além disso, o espaço disponível para a construção da quadra de esportes e das áreas comuns será muito limitado. Ou seja, não bastasse a quantidade de escolas em péssimas condições, as que estão sendo construídas, antes mesmo de inauguradas, já apresentam problemas.

A propaganda do Governo de Raimundo Colombo fala das melhorias realizadas nas instituições, como se houvessem grandes avanços, mas o tal Pacto pela Educação, como já era esperado, não está se efetivando. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina – SINTE-SC, das 233 obras previstas pelo governo, entre construções e reformas de escolas de ensino fundamental e médio, 82,8% estão com o cronograma atrasado. Cento e noventa e três deveriam ter sido entregues entre o final de 2013 e começo de 2014, mas a maioria teve o prazo prorrogado até 2015.

Números do Pacto Pela Educação

Total de obras previstas

233

Atrasadas

193

Em dia

39

Concluídas

1

Em Outubro, a EEB.Virgílio Várzea, de Itaiópolis, que atende cerca de 1200 alunos, solicitou, novamente, junto a Secretaria de Educação do estado, a reforma da instituição, e mais uma vez não obtiveram resposta.

Durante o inverno, quando as nevascas atingiram a cidade, a coisa piorou. A infiltração aumentou e a água começou a correr pelas paredes e a circuitar as instalações elétricas. A escola, que teve partes interditadas pela Vigilância Sanitária, passou a servir somente lanches prontos no lugar da merenda e os professores foram realocados na biblioteca.

Ainda em Outubro de 2013, o juiz Paulo Eduardo Huergo Farah, decretou a interdição da Escola Estadual João dos Santos Areão, da comarca de Santa Rosa do Sul. Segundo o juiz, a instituição não cumpria as exigências legais de segurança e conservação, em razão das péssimas condições das instalações. O Ministério Publico exigiu a reforma do prédio, com a proibição imediata da utilização do espaço até que todos os danos fossem resolvidos.

De acordo com o Correio do Sul, os bombeiros atestaram problemas emergenciais com os botijões de gás, saídas de emergência, tabelas de basquete, muros com fissura e grades com fixação deficiente. Foi determinado que estes problemas fossem resolvidos imediatamente, mas o estado “apresentou defesa” (como se isso fosse desculpa para não realizar as melhorias necessárias).

Em Fevereiro de 2013, foi a vez da Escola Básica Ana Gondin, em Laguna, ser interditada pela juíza Lara Maria de Souza. Como resultado da incompentência do governo, os mais de 700 alunos e 70 funcionários tiveram de estudar e trabalhar no salão paroquial da igreja do bairro Magalhães.

Em Novembro de 2011, foi noticiado no portal Uol o desabamento de três salas da Escola Básica Estadual Vicente Silveira, em Palhoça. As salas já estavam interditasse, por isso, os 180 alunos estavam divididos em turnos e espremidos nas três salas restantes. Na noite do dia 11/11, sem que as “autoridades incompententes” tivessem tomado uma atitude para resolver o problema, as paredes vieram ao chão e toda a instituição teve de fechar as portas.

Desabamento da Escola Básica Estadual Vicente Silveira (Foto: Guilherme Marques/RBS TV)

Desabamento da Escola Básica Estadual Vicente Silveira (Foto: Guilherme Marques/RBS TV)

Pelo jeito, escolas com nome de Silveira em Palhoça é sinal de problema. No final de 2013 a justiça acatou o pedido do Ministério Público de Santa Catarina, determinando a interdição imediata da Escola de Educação Básica João Silveira obrigando os cerca de 1,2 mil alunos a serem manejados para escolas próximas

Em Abril de 2013, a comunidade da Escola de Educação Básica Laura Lima, em Florianópolis, convocou uma reunião com pais, alunos, professores, Ministério Público, Defesa Civil, Bombeiros, SINTE e a imprensa, para discutir a situação da escola que, adivinhem, estava interditada e com risco iminente de desabamento. Os órgãos públicos convidados não compareceram, dando mostra do total descaso com a educação no nosso estado.

Segundo o presidente da Associação de Pais e Professores – APP, Edelberto Rodrigues, desde 2005 a comunidade pedia obras e não havia mudanças. Os estudantes tinham apenas duas horas de aula por dia e não possuíam laboratórios ou biblioteca.

Em 2012, 11 escolas foram (re)interditadas em Joinville, 9 somente em Dezembro. Para se ter uma ideia, desde 2002 não é construída, na maior cidade do estado, sequer uma escola de ensino médio e, para piorar, os prédios interditados estavam fechados desde 2011.

Aí eu quero deixar registrada uma tristeza pessoal. Uma das escolas interditadas era a Maria Amin Ghanem, onde as infiltrações atingiram o piso de madeira nas salas de aulas e, depois de meses interditada, o governo ainda não havia começado a reformar. Por que a minha tristeza? Porque foi lá que eu cursei o ensino fundamental e parte do médio e é lá, ainda, que eu vou de dois em dois anos para exercer a meu “direito obrigatório” de votar. O tal piso infiltrado é o mesmo que eu pisava 13 anos atrás, os telhados em estado avançado de deterioração são os mesmo que protegiam a minha cabeça na infância e, salvo pequeno reparos, o prédio permanece do mesmo jeito que era quando eu o frequentei. Assim eu pude verificar in loco o desprezo das administrações estaduais em relação a educação de Santa Catarina. Passara-se mais de uma década e nada foi melhorado, nada foi modificado, enfim, se era um “saco” estudar lá, em fins do século XX, continua sendo um saco na segunda década do século XXI.

Outra escola de Joinville a ser interditada repetidamente é a Conselheiro Mafra, onde eu tive a oportunidade de lecionar em 2009. Naquele ano os alunos não tinham onde praticar esportes, pois a quadra oferecia o risco de cair sobre as cabeças deles, e precisavam usar o banheiro da sala dos professores, pois o dos estudantes estava lacrado pela Vigilância Sanitária. No verão era quase impossível dar aula, pois em muitas salas o ventilador não funcionava e a estrutura da cobertura da quadra que deveria ser renovada era apenas lixada e repintada. Crônicas de uma nova interdição anunciada.

Quanto a alimentação dos estudantes, o Sindicato dos Nutricionistas no Estado de Santa Catarina –SINUSC, por meio de carta, expressou o repúdio em relação a merenda escolar servida nas escolas estaduais e denunciou ao Ministério Público Federal, ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, a Coordenação geral do Programa Nacional de Alimentação Escolar e Conselho Regional de Nutricionistas da Décima Região – Santa Catarina, além de encaminhar a questão para a discussão nas reuniões do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional de Santa Catarina, a péssima situação da comida servida aos alunos da rede estadual de educação.

Segundo o órgão, são inúmeras irregularidades:

Não cumprimento da aplicação de no mínimo 30% da verba do programa na aquisição de gêneros alimentícios da agricultura familiar local.

Falta de estrutura para a adequada atuação do CEAE.

Má qualidade dos alimentos detectada durante as visitas nas escolas.

Grande quantidade de produtos industrializados, por exemplo, batata em flocos.

Hortifrutigranjeiros em estado de decomposição.

Precarização do trabalho do Nutricionista que de acordo com a lei nº 11.947/2009, é o Responsável Técnico pelo programa.

Falta de estrutura adequada nas escolas.

Inexistência de projeto de inserção da educação nutricional no currículo escolar.

Descumprimento do Edital por parte das empresas terceirizadas, tais como: descumprimento do cardápio, armazenamento dos alimentos de forma inadequada, redução das quantidades/porções dos alimentos, falta de condições higiênico sanitárias.

10º

Falta de controle sobre o número de refeições servidas acarretando cobrança indevida.

11º

Desvio de função dos Nutricionistas.

12º

Precarização da alimentação oferecida nas escolas que ainda encontram-se em auto gestão.

Esse texto está baseado em algumas matérias veiculadas na imprensa catarinense que eu levei menos de 10 minutos para localizar. E por aí dá para se ter uma ideia do quanto a educação no estado é desprezada. Se lembrarmos dos dois últimos secretários estaduais de educação a coisa fica ainda pior. O atual é graduado em Engenharia Elétrica, mestre em Engenharia Elétrica e doutor em, vamos ver se você advinha… Engenharia Elétrica. Entende tudo de educação. O anterior conseguia ser ainda pior. Marco Tebaldi é engenheiro sanitarista (como gostam de engenheiros na educação em Santa Catarina) e nem sequer possui Currículo Lattes, além de ser o deputado com a maior quantidade de processos por corrupção no Brasil, um belo exemplo para as crianças catarinenses. É, está feia a coisa no nosso estado.

O próximo passo na destruição da educação em Santa Catarina é a publicização do ensino. Um nome bonito para substituir a palavra “privatização”. Iniciada em São Paulo, nada mais é do que transferir a administação das escolas publicas para a iniciativa privada. No começo tudo é lindo, o nivel dessas escolas cresce vertiginosamente apoiado nos montantes despejados pelo governo para dar a impressão de que o sistema publico era falho e somente com a administração privada a educação seria eficiente, mas, a longo prazo, o resultado é outro.

Em Florianópolis, a primeira instituição a fazer parte desse sistema é a Escola Básica Estadual Lucia do Livramento Mayvorne, que está sendo gerida pela Rede Marista de Solidariedade. Quem tem a oportunidade de visitar essa escola fica até assustado ao ver as instalações, parece coisa de primeiro mundo, muito dinheiro envolvido e entregue diretamente nas mãos da iniciativa privada, enquanto isso as outras escolas vão sendo abandonadas e sucateadas para dar a impressão de que a gestão publica não funciona.

Isso tudo nos deixa uma reflexão: Ou tomamos uma atitude enquanto há tempo, ou continuamos engolindo os sapos espalhados pelo governo Colombo na mídia e nos arrependeremos quando for tarde demais.

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5 pensamentos sobre “Educação no melhor estilo Colombo: uma baita mentira!

  1. Zé Raupp disse:

    Uma observação: a escola Vicente Silveira, em Palhoça, foi interditada em 2012. Eu era professor nessa escola nesse período. Durante esse momento catastrófico, tivemos que fazer 3 turnos de aulas durante alguns meses, com aulas de 30 minutos e cinco minutos de intervalo pra cada período. Só assim os garotos puderam continuar a frequentar a escola. Prometeram fazer manutenção das salas em um mês e meio. Saí da escola no fim do primeiro semestre e nem uma saca de cimento apareceu por lá. Descaso total com a população, professores e garotada!
    Abraço!
    Ótimo artigo!

  2. Não sou servidor público do Estado, mas acho que o nosso serrano está, em três anos, dando de 10 X 0 no seu antecessor, pois pegou muitas escolas podres, caindo, e nem a Classe dos professores nem o sindicato chiou durante 8 anos consecutivos, estavam muito bem acomodados ou com seus subordinados nas múltiplas secretarias regionais, criadas para este fim…

    • Carlos disse:

      Olha seu Donizete. Sou membro da chapa regional de Florianópolis, pelo Sinte-SC e não ganho nada para atuar ali como muitos de meus colegas. Se quiser conhecer, basta procurar qualquer um na regional, mas a de Florianópolis. Que tem sindicato atrelado ao governo e que absurdamente o defende, isso não tem como negar, o mesmo acontece até no nosso sindicato estadual, onde tem sindicalistas que ganham 600R$ de auxílio de custo. Eu como professor não ganho esses 600 e acho um absurdo que isso ocorra no sindicato, mas nossa representação no sinte não aceita esse auxílio e lutamos por dentro e por fora do sindicato contra. O que quero dizer é que não se pode generalizar. Hoje cerca de 40% dentro do Sinte, que é a nossa representação luta contra o governo Colombo e também o de Dilma, pois antes do Colombo, essas políticas são internacionais e nacionais. O plano nacional de educação por exemplo, é estabelecido pelo FMI e aprovado pelo Governo Federal e executado pelos Governos Estaduais e Municipais.

  3. NIDIA NOBREGA disse:

    O grande problema de Colombo é acreditar que seu sistema de comunicação aind apode convencer as pessoas…cabe agora pais e alunos dizerem não a sua reeleição…

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