Não há experiência mais incrível do que a de ser educador (parte IV, final. Ou seria o começo?)

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21 de agosto de 2013 por deglutindopensamentos

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Apresentação sobre a Independência da América Latina (Cuba)

Apresentação sobre a Independência da América Latina (Cuba)

E por fim 2012, a escola era a Dr. Georg Keller, novamente o estado, novamente o ensino médio e, pela primeira vez, a sociologia. É bom dizer que esse foi um ano peculiar para mim. Grandes realizações estavam por vir e eu não fazia ideia do que elas representariam na minha vida.

O local de trabalho era próximo à residência dos meus pais, era a chance de comer a comidinha da mamãe pelo menos uma vez por semana, ao mesmo tempo, era longe de casa e voltar dirigindo depois de trabalhar 15 horas nas segundas-feiras não era nada fácil.

Assim que recebi o horário das aulas, vi que o ano seria ótimo. Apesar da segunda-feira puxada eu tinha folga na sexta. Era a minha chance de estudar para o mestrado. O que tornava a semana ainda mais pesada, ter de viajar à Florianópolis depois de ter trabalhado 40h00 semanais era um cansaço que valia a pena.

Na escola, o mesmo processo de todo começo de ano. Conhecer as dependências do prédio, conhecer os profissionais, colegas de sala dos professores e corredores, me apresentar aos alunos e iniciar as atividades.

Ao mesmo tempo em que era aluno especial e estudava para ingressar como aluno regular no curso de sociologia política da Universidade Federal de Santa Catarina, aprendia o básico das ciências sociais para lecionar para as turmas do ensino médio (a falta de professores causada pela desvalorização dos profissionais aliada as péssimas condições de trabalho, faz com que qualquer um possa lecionar qualquer disciplina. Péssimo para os estudantes, pior ainda para o país).

Ao todo eram 19 turmas, 10 no ensino médio, 2 delas no período noturno, e 9 no fundamental. Entre tantas crianças e adolescentes, muitos eu levarei na lembrança. O potencial de alguns deles era notável, infelizmente nem sempre estimulados.

Nome de filósofo grego da antiguidade, talento de artista espanhol do século XX, os desenhos incríveis do Héricles me chamaram a atenção. Daí veio a ideia de, juntamente com a professora Ane, dar uma cara de “escola” para os muros altos que afastam a comunidade do ambiente escolar. Depois de arregimentar mais alunos talentosos como a Andressa, o projeto foi colocado em prática. Infelizmente, dado o tempo curto e o muro grande, não foi concluído, mas, ainda assim a pintura ficou muito bonita.

Nas sétimas séries eu descobri que o a aprovação automática é a maior perversão que o sistema educacional pode sofrer. Ter alunos que, chegando ao fim do ensino fundamental, mal sabem ler e escrever é terrível, tanto para o educador quanto para o próprio aluno. Ainda assim, você sempre encontra aquelas figuras que te fazem querer entrar em sala. Na sala dos Lucas, um negro com sobrenome alemão que escuta Rammstein e um baixinho controlador, com ímpeto e liderança que poucos possuem, era sempre prazeroso lecionar.

No terceirão, alunos com sonhos ainda por realizar. Apesar das diferenças ideológicas era sempre bom conversar com a gurizada, é isso mesmo Bruna e Fernanda? Tainara, não esqueça de Cuba!

Falando em Cuba, em maio de 2012 pude conhecer esse país (algumas impressões sobre aqui). A falta constante de professores me permitiu negociar horários para que eu pudesse realizar essa viajem, garantindo o devido pagamento dos dias de ausência.

As aulas noturnas eram, no mínimo, difíceis. A dificuldade de manter a concentração de alunos que chegavam cansados competia com a evasão típica do horário. Toda via, eram aulas divertidas, certo Guida e Miria?

Quanto ao quadro docente, vi o que há de melhor e pior na rede. O esforço sobre-humano do professor Luis e da professora Mara para garantir mais que uma gincana para os alunos, um verdadeiro trabalho de cooperação entre as turmas, dos menores, com seis, sete anos, até os “barbudos” que estão prestes a irem para a faculdade, todos foram envolvidos. Contrastava com professores que eram incapazes de manterem os alunos em sala, ou de aplicar o mais básico conteúdo. Por mais que a direção da escola lutasse contra esses problemas, eles pareciam um espinho preso no calcanhar da educação.

Como sempre, apliquei o meu trabalho com comida (é, eu sou glutão e experimento todos os pratos elaborados pelos alunos), dessa vez trabalhando a independência da América. Trabalho que me deixou muito orgulhoso, pois ver os pequenos compreendendo o que foi a dominação europeia sobre as colônias é saber que valeu a pena.

Veio o fim do ano e com ele o resultado da seleção do mestrado. Eu estava entre os aprovados. Uma pausa forçada e prazerosa na carreira como educador, para dedicar algum tempo a ser educando e garantir que, em um futuro próximo, eu possa voltar as salas de aula com maior experiência e conhecimento.

A todos os que fizeram parte desses quase quatro anos de trabalho o meu muito obrigado.

 

 

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Um pensamento sobre “Não há experiência mais incrível do que a de ser educador (parte IV, final. Ou seria o começo?)

  1. sandra sauer disse:

    Muito bacana! Siga seu caminho sempre com esse entusiasmo! Abraços!

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