Não há experiência mais incrível do que a de ser educador (parte II)

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18 de agosto de 2013 por deglutindopensamentos

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Julgamento de Getúlio Vargas, Escola Abdon Baptista, 2010

Julgamento de Getúlio Vargas, Escola Abdon Baptista, 2010

Continuando o relato sobre a minha breve atuação em sala de aula, chegamos a 2010 e ao meu primeiro trabalho em uma escola municipal, a Abdon Baptista. Talvez o melhor lugar em que eu já trabalhei.

A primeira impressão foi, no mínimo, estranha. Eu tinha aceitado um contrato no estado para lecionar em uma cidade próxima, depois de uma semana acordando as 4 da manhã para chegar as 07h30 no trabalho, recebi uma ligação da Secretária de educação do município me oferecendo uma vaga. Me apresentar foi algo um tanto complicado, com o Vini pendurado no canguru, ainda sem carro, em um dia de sol escaldante, subir um morro que mais parecia uma montanha… Fico pensando em qual foi a impressão da diretora quando me viu.

Eram 14 excelentes turmas, alunos realmente bons e que topavam qualquer parada na hora de fazerem e apresentarem os trabalhos. Não vou esquecer da aula no 7º ano em que a gurizada transformou a sala em uma pequena Florianópolis, com direito a Beira mar e tudo. Uma maquete perfeita da Ponte Hercílio Luz é para poucos. Assim como a grande bandeira da Alemanha no teto da turma que apresentou Blumenau ao mundo.

Nos 8ºs anos, mais algumas receitas a base de café e nos nonos, um debate incrível na hora de acusar Getúlio Vargas, a gurizada me orgulhou de tal maneira que tive de refazer a apresentação dos trabalhos mesclando as salas e apresentando para toda a comunidade escolar. Foi sensacional.

Nessa escola conheci duas crianças que, de fato, devem orgulhar e muito os pais. Amanda e Mike Conradt, o segundo se tornou um amigo e colaborador aqui no blog. Pela qualidade dos textos dele é possível ver que não estou mentindo ao falar bem deles.

Duas gêmeas que me deixaram meio doido. As duas estudavam na mesma sala, na mesma cadeira, mas em horários diferentes, levei quase um mês para entender o que acontecia, lembram-se disso Fernanda e Juliana Silva? Suas pestes!

Existem coisas que a gente só faz por esses pestinhas. Na festa junina fiz uma aposta com o nono ano e, acreditem, eles ganharam e eu fui a festa vestido de mulher. Aquele vestido tubinho era apertado, mas eu fiquei lidão, não é mesmo Gabriela?

Festa Junina, Abdon Baptista, 2010

Festa Junina, Abdon Baptista, 2010

Na sala dos professores foram os dias em que mais dei risada na vida, nunca conheci um ser humano tão engraçado como o professor Salomarcio. Trabalhar com a Luciana de ciências, apesar de ser fã do Fernando Henrique Cardoso, foi ótimo. Aprendi muito sobre a técnica de stop motion. Construir as maquetes sobre a história da África e ver os bonecos se mexendo depois da edição das fotos foi sensacional.

Nessa escola aprendi que orientação e supervisão são muito importantes e que bons profissionais nessa área fazem a diferença. A Claudia, responsável pela supervisão, apesar de não ser da mesma área que eu, sempre me trazia material novo e/ou atualizado.

A competição de pebolim entre os professores no final do ano foi épica, depois de passar um ano inteiro treinando durante o horário de almoço, derrotar o Vanderlei, professor de Ed, Física, foi sensacional! (risos).

Foi lá que eu conheci dois pequenos gênios Mike e Renato, espero que eles sigam em frente com seus cérebros virtuosos, e um militar racional, vai ajudar a fazer a Revolução Henrique?!

O fim de ano chegou e, como diria Drumond, E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José? […] você é duro, José! Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José! José, para onde?

Pra onde ir? Em que escola trabalhar? No município, diferente do estado, meu contrato era de dois anos, portanto poderia dar continuidade ao meu trabalho, a diretora me pediu para ficar e eu, de pronto, aceitei. Porém, um professor concursado decidiu ficar com duas das minhas turmas e isso seria uma baixa muito grande no meu salário, uma nova escola, então, estava a vista. Amanhã falaremos dela.

 

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3 pensamentos sobre “Não há experiência mais incrível do que a de ser educador (parte II)

  1. sandra sauer disse:

    Que bacana! Você conta suas vivências com tanto entusiasmo que dá gosto! É bem assim…apaixonadamente apaixonante, é preciso cultivar esse amor!

  2. Eita emoção!!! Muito bom relembrar tudo isso, esses momentos divertidos. Grande abraço Sr.Eliton (“Sor”).

  3. Gabriella disse:

    Maravilhoso!!! Como é bom relembrar tudo isso e que privilégio de ter sido sua aluna, és um excelente profissional!

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