Não há experiência mais incrível do que a de ser educador (parte I)

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17 de agosto de 2013 por deglutindopensamentos

Eliton Felipe427273_423699264379090_1925993822_n

Pretendia escrever um texto sobre a minha curta experiência como educador, mas percebi, que um apenas não seria suficiente. Dividirei ele em 4 partes, uma para cada escola em que trabalhei.

Turma de 8ª série da Escola Conselheiro Mafra após apresentação de Júri Simulado sobre Getúlio Vargas em 2009

Turma de 8ª série da Escola Conselheiro Mafra após apresentação de Júri Simulado sobre Getúlio Vargas em 2009

Hoje me dei conta de que, no inicio desse mês, completei quatro anos como professor. Essa história começou algum tempo antes, lá em 2005 quando ingressei na faculdade de história, mas se concretizou somente em 2009, na Escola Estadual Conselheiro Mafra.

Desde a 5ª série do ensino fundamental eu tinha certeza do que queria fazer. Ingressar no curso de história. Sempre com a ideia fantástica de ser um historiador que sairia pelo mundo pesquisando, romantizada pelos filmes do Indiana Jones. Essa ideia durou até as primeiras aulas do estágio curricular supervisionado, pois nascia ali um novo educador.

Concluída a graduação, depois de enfrentar as filas da GERED como grande parte dos meus colegas de profissão, não consegui uma escola para lecionar e fui trabalhar em uma empresa de cobrança. Obrigar pobres idosos agricultores a pagarem dividas que nem lhes pertencia. Isso era Janeiro de 2009.

Em julho daquele ano recebi uma ligação que mudaria a minha vida. Eu começava a trilha o meu caminho enquanto educador. Uma vaga na Escola Conselheiro Mafra para trabalhar com nove turmas da antiga 5ª série do ensino fundamental ao 1º ano do ensino médio. Uma vaga da qual a minha querida amiga Lorena abriu mão. Lhe devo muito por isso nanica!

É incrível como a gurizada nos marca, sempre me lembro de alguns dos que conheci naquela escola e, de vez em quando, esbarro com um ou outro pelas ruas do centro de Joinville.

Não é possível descrever a felicidade que se sente quando você descobre que crianças que você ajudou de alguma forma a desenvolver as potencialidades intelectuais e a razão crítica, hoje cursam Engenharia Aeroespacial, certo Vitor Joenk? Ou se preparam para ser biomédicos, não é mesmo Anandra Braga?

Foi nesse lugar que aprendi que, além de educador, eu devo ser um eterno educando. Confesso que aprendi muito com aqueles menin@s. Sei que deixei a desejar em algumas turmas, talvez o despreparo, a falta de experiência tenham dificultado em alguns pontos, mas ajudadaram em outros. O fôlego era grande e a vontade de trabalhar maior ainda.

Lá eu tive o primeiro contato com professores reais. Não mais os da Universidade que ganhavam o suficiente para viver de forma razoável, não. Agora eram aqueles que trabalhavam muito e ganhavam pouquíssimo. Gleci, Fernando e Vanderlei, me ajudaram, me aconselharam, deram as dicas mais usuais e precisas para quem estava começando.

Primeiras provas para corrigir, primeiro Juri Simulado (muito bom, por sinal), primeiros trabalhos envolvendo comida. Até hoje faço a receita de Chico Balanceado de Café que uma equipe da 7ª série fez nas aulas sobre o Brasil Império. As maquetes de castelos medievais do ensino médio e os cartazes da 5ª série. Quase tudo dava certo. Era terrível ver uma aula espetacular ser totalmente pífia na sala ao lado, mas a gente aprende que a gurizada se desenvolve de maneira diferente e procura outras saídas.

Nunca vou esquecer do dia em que chamei uma mãe para conversar porque o filho dela não queria participar das aulas e ela olhou para mim com toda a arrogância e prepotência do mundo e me perguntou: “Você é estagiário? É tão novinho para ser professor!”. A raiva foi tamanha que eu podia sentir o sangue subindo para o meu rosto, nisso, antes que eu pudesse falar, a diretora interviu respondendo: “É! Ele é professor sim! E um dos melhores que nós temos!” Sei que ela falou aquilo para me defender, mas ao mesmo tempo foi um grande empurrão na minha autoestima e devo muito àquela atitude.

Guardo até hoje, dentro da minha agenda (que muda a cada ano), uma carta feita pela minha regência, uma 5ª série de pimpolhos inteligentíssimos, lida em uma festinha surpresa no meu aniversário pela excelente Ana. Assim como levo comigo, também, um texto produzido por alunos da 7ª série com tantos erros (de gramática, de geografia e de história) que o mantenho por perto para não esquecer de que, muitas vezes, fracassamos no que nos propomos a fazer.

Aquele ano terminou com a festa de formatura das 8ªs séries, onde fui mestre de cerimônias, foi muito legal ver aquel@s menin@s de terno e de vestido, felizes, mas sem saber ou perceber que a vida estava apenas começando.

Com o fim do ano veio também o fim do contrato. Uma das coisas mais cruéis da escola pública. Os professores são impedidos de dar continuidade no trabalho que estão realizando para garantir a “economia” do estado que não realiza concursos, enquanto isso os alunos têm de se submeter as mudanças constantes que tanto atrapalham o desenvolvimento deles.

Por outro lado, nos possibilita conhecer outros profissionais e outros educandos, mas isso é papo para amanhã.

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Um pensamento sobre “Não há experiência mais incrível do que a de ser educador (parte I)

  1. sandra sauer disse:

    O melhor de tudo é sabermos que com essas experiências com nossos alunos, cada um deles leva um pouquinho da gente e nós carregaremos sempre no coração essas boas lembranças.
    Certo dia entrei numa loja de brinquedos e na hora de pagar o rapaz do caixa me disse: “Oi professora, quanto tempo!” Me embaracei e pensei, ai meu Deus, de qual escola será…entre tantas que passamos…( estou há 15 anos nessa trilha). E ele disse: Do Dayse, eu tava na quinta série! (Primeira escola estadual de Florianópolis, que lecionei)Ah, claro, você era um menino há 15 anos atrás!!!! Foi muito bacana!

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