Ditadura Militar, anos difideis de esquecer

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5 de agosto de 2013 por deglutindopensamentos

Eliton Felipe427273_423699264379090_1925993822_n

Com a falta de tempo para escrever, continuo requentando textos que acredito serem importantes de lembrar.

“Enquanto os homens Exercem seus podres poderes.Morrer e matar de fome de raiva e de sede são tantas vezes gestos naturais”. (Caetano Velozo)

Prefiro lutar e morrer do que viver em uma situação dessas, onde as liberdades individuais estão esquecidas. Quero continuar lutando para que outras pessoas possam se sentir livre da opressão. Primeiro o sacrifício, depois os sonhos”. (Arno Preis)

Em 2012, chegando em um supermercado de Joinville me deparei com um carro que saía do estacionamento com um grande adesivo que tinha uma bandeira do Brasil de fundo e a seguinte frase: “Estamos com você general Heleno” Qual foi a minha indignação?! Um Fascista que defende o golpe militar de 1964 dizendo que foi para manter a democracia no país sendo defendido em campanha aberta pelo Brasil.

General_Heleno-580x432Em pleno século XXI esperava que o povo brasileiro tivesse vergonha dessa ferida aberta no seio de nossa democracia. Doce ilusão! Ainda há os que têm orgulho de termos matado, sequestrado e cerceado direitos.

Em 1º de Abril de 1964, militares brasileiros marcharam em direção à Brasília para cometerem o ato mais repugnante da curta história democrática brasileira que, havia apenas 18 anos, tinha começado a caminhar. Em abril de 2012, os mesmos militares voltaram aos noticiários comemorando o que eles chamam de “revolução” e que o mundo reconhece como Ditadura.

Com o fim do Estado Novo, ditadura instaurada por Getúlio Vargas, o brasil passou por uma ascensão democrática, que foi tão extraordinária que, em menos de dez anos, conseguimos levar o Brasil a ter uma música exportada para o mundo inteiro, um cinema ganhando prêmios internacionais e um teatro de Cacilda Becker, que consegue ser aplaudida em pé em Paris. (LEITE, in: BRYAN, 2012)

A Atriz que foi duramente censurada pelo governo militar, teve peças proibidas apenas por constar seu nome no elenco.

Infelizmente ela não foi a única. Durante os 20 anos de ditadura houve uma castração intelectual no Brasil. Artistas renomados e reconhecidos dentro e fora do país foram jogados ao ostracismo pelos censuradores que destruíam os seus trabalhos. Foram poucos os que conseguiram, através da metáfora, continuar falando o que pensavam. Quando trabalho Ditadura com meus alunos gosto de mostrá-los a música Cálice do Chico Buarque, uma verdadeira obra prima na arte de enganar a censura, mas, como disse Tuna Dwek, é impossível ter certeza de quantos projetos culturais foram abortados, pois tudo o que se produzia passava pela censura e, não só censuravam, como o que era liberado, era com cortes. “Só liberavam obras mutiladas”.

Chico+BuarqueO que o governo militar fez com alguns artistas foi desumano,

A principal herança que me deixaram foi o esquecimento. Foi aquela coisa de me proibirem de tocar no rádio e na televisão, e de aparecer nos meios de comunicação. Acabaram me transformando num desconhecido. Eu não estou aqui à procura de sucesso nem de glória. Mas acho que foi injusto o que aconteceu comigo. (RICARDO, Sérgio in: BRYAN, 2012)

image_previewO cantor e compositor Sérgio Ricardo era um dos mais conhecidos artistas brasileiros, um dos pioneiros na Bossa Nova e reconhecido no mundo inteiro por sua obra. Na década de 1950 e inicio da de 1960 tinha produzido trilhas sonoras para filmes brasileiros premiados na Europa, mas os militares conseguiram jogá-lo ao ostracismo.

Na educação os militares foram além. Para a filosofa Marilena Chauí, a parceira entre o Ministério da Educação de Castelo Branco (1964-1967) e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) que ficou conhecida como MEC/USAID, seguida pela imposição do modelo estadunidense com uma política educacional voltada à economia, o ensino brasileiro perdia sua finalidade social e passava a ser direcionado à formação profissional de estudantes. Aí começou a transferência do ensino público para o privado passou-se a considerar a escola particular como a de ensino melhor. O ensino público foi destruído, físico e pedagogicamente. O currículo escolar foi modificado e os cursos universitários passaram a uma formação técnica, rápida e de uma mão de obra incapaz de questionar a sua situação enquanto trabalhador explorado.

EscolaPúblicaxPrivada_AmâncioA seguir, o governo reduziu as verbas para laboratórios e bibliotecas, e sucateou o patrimônio público. Outro ataque ao ensino, foi a licenciatura curta. Era possível fazer uma licenciatura em apenas dois anos e meio, muito parecido com o Ensino a Distância de hoje, onde a qualidade dá lugar a quantidade.

educacao_3Em todos os níveis de ensino era comum que militares assumissem o papel do professor, no ensino médio e universitário, eles se infiltravam entre os alunos para fazer o controle ideológico sobre o corpo docente e discente. Assim ocorreram prisões arbitrárias de professores e líderes estudantis.

Foi uma coisa dramática, lutamos o que pudemos, fizemos a resistência máxima que era possível fazer com o risco que você corria, porque nós éramos vigiados o tempo inteiro. Os jovens hoje não têm ideia do que era o terror que se abatia sobre nós. Você saía de casa para dar aula e não sabia se ia voltar, não sabia se ia ser preso, se ia ser morto, não sabia o que ia acontecer, nem você, nem os alunos, nem os outros colegas. (CHAUÍ, 2012).

Depois o governo afastou a Universidade dos centros urbanos,

Foi simbólica a mudança da faculdade para o “pastus”, não é campus universitário, porque, naquela época, era longe de tudo: você ficava em um isolamento completo. A ideia era colocar a universidade fora da cidade e sem contato com ela. Fizeram isso em muitos lugares. (Rede Brasil Atual, 2012).

hospitalNa saúde, o regime militar deu o pontapé na privatização do sistema, o INPS custeava os grupos privados que ofereciam serviços outrora públicos, ao mesmo tempo o Ministério da Saúde, mantinha um Sistema público e gratuito. Segundo o governo federal, no final da década de 1960 os valores gastos com a iniciativa privada já superava os investimentos diretos na assistência médica, sucateando o sistema público em prol de empresas particulares.

Os defensores da ditadura adoram dizer que não havia corrupção no período porém,

Um grande problema apontado por várias pesquisas foi a corrupção. O pagamento aos hospitais privados era feito mediante a emissão de documentos chamados Unidades de Serviço (US). Amígdalas retiradas duas vezes e homens submetidos a partos foram algumas das irregularidades constatadas. (PERES, 2012).

Com um neoliberalismo voraz, tudo o que era do Estado passou a ser visto como burocrático, onerador, e de qualidade inferior, passando as mãos da iniciativa privada o controle sobre a assistência social brasileira.

Os militares brasileiros institucionalizaram a tortura, criaram órgãos, como o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), que se especializaram no sequestro, aprisionamento, tortura, assassinato e desaparecimento de “inimigos” políticos. Esse Treinamento era intensificado pelas Forças Armadas brasileiras em aulas ministradas a outros militares, descritas no Dossiê Brasil Nunca Mais:

(…) que o método de torturas foi institucionalizado em nosso país e, que a prova deste fato não está na aplicação das torturas pura e simplesmente, mas, no fato de se ministrarem aulas a este respeito, sendo que, em uma delas o Interrogado e alguns dos seus companheiros, serviram de cobaias, aula esta que se realizou na PE da GB, foi ministrada para cem (100) militares das Forças Armadas, sendo seu instrutor um Ten. HAYTON, daquela U.M.; que, à concomitância da projeção de “slides” sobre torturas elas eram demonstradas na prática, nos acusados, como o interrogado e seus companheiros, para toda a plateia; (…) (ARNS, 1985, p. 31)

tortura9Hoje o Brasil é o único país da América do Sul que, mesmo após o fim de sua ditadura, os relatos de tortura por órgãos de segurança aumentam em vez de diminuir. O “padrão” Capitão Nascimento de qualidade tornou-se comum e, para muitos, até normal. O país é um dos únicos países do mundo em que não houve uma Comissão da Verdade e, torturadores, assassinos, sequestradores que atentaram contra as liberdades civis continuam levando suas vidas como se nada tivesse acontecido.

Encerro meu texto com a fala de Dudu Barreto Leite:

Eu vou falar da castração da inteligência nacional. Isso foi o pior. Em qualquer processo ditatorial, eles perseguem, matam e torturam, só que esses acabaram com todo o processo de inteligência nacional. A área científica foi quase toda expulsa do Brasil. A área intelectual foi perseguida, presa, torturada e morta. A área da arte foi perseguida e exilada. Então eles destruíram o potencial da inteligência nacional. E também perseguiram os estudantes que estavam resistindo e não estavam a favor daquela coisa horrorosa que estavam implantando nesse país. Eles eram o potencial da inteligência nacional. Então acabaram com três gerações – a existente, a em formação e a embrionária. […] É um bando de fascistóides que formaram uma geração fascistóide. E agora estão reclamando do corpo político que está aí? Está aí porque eles formaram durante anos, castrando os que pensavam e elegendo os que se vendiam. E agora vêm me falar em corrupção? (LEITE, in: BRYAN, 2012)

Ver mais em:

ARNS, D. Paulo Evaristo. Org. Um relato para história: Brasil nunca mais. 6ª ed. Rio de Janeiro, Vozes, 1985.

LEITE, Dudu Barreto in: BRYAN, Guilherme. Duddu Barreto Leite: “Se abandonei o teatro, foi por perseguição política”. Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/03/duddu-barreto-leite-se-abandonei-o-teatro-foi-por-perseguicao-politica acessado em: 04/04/2012

PERES, João. Na saúde, ditadura começou abertura ao setor privado. Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/03/na-saude-ditadura-comecou-abertura-ao-setor-privado acessado em: 04/04/2012).

Redação da Rede Brasil Atual. Para Chauí, ditadura iniciou devastação física e pedagógica da escola pública. Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/03/para-marilena-chaui-ditadura-militar-fez-com-que-universidades-nao-oferecam-formacao-humanista acessado em: 04/04/2012.

CHAUÍ, Marilena in: TOLEDO, Virginia. Desigualdade no sistema educacional brasileiro é herança do período militar. Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/03/desigualdade-no-educacional-brasileiro-e-heranca-do-periodo-militar acessado em: 04/04/2012

RICARDO, Sérgio in: BRYAN, Guilherme. Sérgio Ricardo: ‘A ditadura deixou o medo de transformação como herança’ disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/03/sergio-ricardo-a-ditadura-deixou-como-heranca-um-medo-no-povo-brasileiro-de-tentativa-de-transformacao acessado em: 04/04/2012

Ditadura Militar, anos difíceis de superar: 28 se passaram e quase nada mudou.

“Enquanto os homens Exercem seus podres poderes.Morrer e matar de fome de raiva e de sede são tantas vezes gestos naturais”. (Caetano Velozo)

Prefiro lutar e morrer do que viver em uma situação dessas, onde as liberdades individuais estão esquecidas. Quero continuar lutando para que outras pessoas possam se sentir livre da opressão. Primeiro o sacrifício, depois os sonhos”. (Arno Preis)

Em 2012, chegando em um supermercado de Joinville me deparei com um carro que saía do estacionamento com um grande adesivo que tinha uma bandeira do Brasil de fundo e a seguinte frase: “Estamos com você general Heleno” Qual foi a minha indignação?! Um Fascista que defende o golpe militar de 1964 dizendo que foi para manter a democracia no país sendo defendido em campanha aberta pelo Brasil.

Em pleno século XXI esperava que o povo brasileiro tivesse vergonha dessa ferida aberta no seio de nossa democracia. Doce ilusão! Ainda há os que têm orgulho de termos matado, sequestrado e cerceado direitos.

Em 1º de Abril de 1964, militares brasileiros marcharam em direção à Brasília para cometerem o ato mais repugnante da curta história democrática brasileira que, havia apenas 18 anos, tinha começado a caminhar. Em abril de 2012, os mesmos militares voltaram aos noticiários comemorando o que eles chamam de “revolução” e que o mundo reconhece como Ditadura.

Com o fim do Estado Novo, ditadura instaurada por Getúlio Vargas, o brasil passou por uma ascensão democrática, que foi tão extraordinária que, em menos de dez anos, conseguimos levar o Brasil a ter uma música exportada para o mundo inteiro, um cinema ganhando prêmios internacionais e um teatro de Cacilda Becker, que consegue ser aplaudida em pé em Paris. (LEITE, in: BRYAN, 2012)

A Atriz que foi duramente censurada pelo governo militar, teve peças proibidas apenas por constar seu nome no elenco.

Infelizmente ela não foi a única. Durante os 20 anos de ditadura houve uma castração intelectual no Brasil. Artistas renomados e reconhecidos dentro e fora do país foram jogados ao ostracismo pelos censuradores que destruíam os seus trabalhos. Foram poucos os que conseguiram, através da metáfora, continuar falando o que pensavam. Quando trabalho Ditadura com meus alunos gosto de mostrá-los a música Cálice do Chico Buarque, uma verdadeira obra prima na arte de enganar a censura, mas, como disse Tuna Dwek, é impossível ter certeza de quantos projetos culturais foram abortados, pois tudo o que se produzia passava pela censura e, não só censuravam, como o que era liberado, era com cortes. “Só liberavam obras mutiladas”.

O que o governo militar fez com alguns artistas foi desumano,

A principal herança que me deixaram foi o esquecimento. Foi aquela coisa de me proibirem de tocar no rádio e na televisão, e de aparecer nos meios de comunicação. Acabaram me transformando num desconhecido. Eu não estou aqui à procura de sucesso nem de glória. Mas acho que foi injusto o que aconteceu comigo. (RICARDO, Sérgio in: BRYAN, 2012)

O cantor e compositor Sérgio Ricardo era um dos mais conhecidos artistas brasileiros, um dos pioneiros na Bossa Nova e reconhecido no mundo inteiro por sua obra. Na década de 1950 e inicio da de 1960 tinha produzido trilhas sonoras para filmes brasileiros premiados na Europa, mas os militares conseguiram jogá-lo ao ostracismo.

Na educação os militares foram além. Para a filosofa Marilena Chauí, a parceira entre o Ministério da Educação de Castelo Branco (1964-1967) e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) que ficou conhecida como MEC/USAID, seguida pela imposição do modelo estadunidense com uma política educacional voltada à economia, o ensino brasileiro perdia sua finalidade social e passava a ser direcionado à formação profissional de estudantes. Aí começou a transferência do ensino público para o privado passou-se a considerar a escola particular como a de ensino melhor. O ensino público foi destruído, físico e pedagogicamente. O currículo escolar foi modificado e os cursos universitários passaram a uma formação técnica, rápida e de uma mão de obra incapaz de questionar a sua situação enquanto trabalhador explorado.

A seguir, o governo reduziu as verbas para laboratórios e bibliotecas, e sucateou o patrimônio público. Outro ataque ao ensino, foi a licenciatura curta. Era possível fazer uma licenciatura em apenas dois anos e meio, muito parecido com o Ensino a Distância de hoje, onde a qualidade dá lugar a quantidade.

Em todos os níveis de ensino era comum que militares assumissem o papel do professor, no ensino médio e universitário, eles se infiltravam entre os alunos para fazer o controle ideológico sobre o corpo docente e discente. Assim ocorreram prisões arbitrárias de professores e líderes estudantis.

Foi uma coisa dramática, lutamos o que pudemos, fizemos a resistência máxima que era possível fazer com o risco que você corria, porque nós éramos vigiados o tempo inteiro. Os jovens hoje não têm ideia do que era o terror que se abatia sobre nós. Você saía de casa para dar aula e não sabia se ia voltar, não sabia se ia ser preso, se ia ser morto, não sabia o que ia acontecer, nem você, nem os alunos, nem os outros colegas. (CHAUÍ, 2012).

Depois o governo afastou a Universidade dos centros urbanos,

Foi simbólica a mudança da faculdade para o “pastus”, não é campus universitário, porque, naquela época, era longe de tudo: você ficava em um isolamento completo. A ideia era colocar a universidade fora da cidade e sem contato com ela. Fizeram isso em muitos lugares. (Rede Brasil Atual, 2012).

Na saúde, o regime militar deu o pontapé na privatização do sistema, o INPS custeava os grupos privados que ofereciam serviços outrora públicos, ao mesmo tempo o Ministério da Saúde, mantinha um Sistema público e gratuito. Segundo o governo federal, no final da década de 1960 os valores gastos com a iniciativa privada já superava os investimentos diretos na assistência médica, sucateando o sistema público em prol de empresas particulares.

Os defensores da ditadura adoram dizer que não havia corrupção no período porém,

Um grande problema apontado por várias pesquisas foi a corrupção. O pagamento aos hospitais privados era feito mediante a emissão de documentos chamados Unidades de Serviço (US). Amígdalas retiradas duas vezes e homens submetidos a partos foram algumas das irregularidades constatadas. (PERES, 2012).

Com um neoliberalismo voraz, tudo o que era do Estado passou a ser visto como burocrático, onerador, e de qualidade inferior, passando as mãos da iniciativa privada o controle sobre a assistência social brasileira.

Os militares brasileiros institucionalizaram a tortura, criaram órgãos, como o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), que se especializaram no sequestro, aprisionamento, tortura, assassinato e desaparecimento de “inimigos” políticos. Esse Treinamento era intensificado pelas Forças Armadas brasileiras em aulas ministradas a outros militares, descritas no Dossiê Brasil Nunca Mais:

(…) que o método de torturas foi institucionalizado em nosso país e, que a prova deste fato não está na aplicação das torturas pura e simplesmente, mas, no fato de se ministrarem aulas a este respeito, sendo que, em uma delas o Interrogado e alguns dos seus companheiros, serviram de cobaias, aula esta que se realizou na PE da GB, foi ministrada para cem (100) militares das Forças Armadas, sendo seu instrutor um Ten. HAYTON, daquela U.M.; que, à concomitância da projeção de “slides” sobre torturas elas eram demonstradas na prática, nos acusados, como o interrogado e seus companheiros, para toda a platéia; (…) (ARNS, 1985, p. 31)

Hoje o Brasil é o único país da América do Sul que, mesmo após o fim de sua ditadura, os relatos de tortura por órgãos de segurança aumentam em vez de diminuir. O “padrão” Capitão Nascimento de qualidade tornou-se comum e, para muitos, até normal. O país é um dos únicos países do mundo em que não houve uma Comissão da Verdade e, torturadores, assassinos, sequestradores que atentaram contra as liberdades civis continuam levando suas vidas como se nada tivesse acontecido.

Encerro meu texto com a fala de Dudu Barreto Leite:

Eu vou falar da castração da inteligência nacional. Isso foi o pior. Em qualquer processo ditatorial, eles perseguem, matam e torturam, só que esses acabaram com todo o processo de inteligência nacional. A área científica foi quase toda expulsa do Brasil. A área intelectual foi perseguida, presa, torturada e morta. A área da arte foi perseguida e exilada. Então eles destruíram o potencial da inteligência nacional. E também perseguiram os estudantes que estavam resistindo e não estavam a favor daquela coisa horrorosa que estavam implantando nesse país. Eles eram o potencial da inteligência nacional. Então acabaram com três gerações – a existente, a em formação e a embrionária. […] É um bando de fascistóides que formaram uma geração fascistóide. E agora estão reclamando do corpo político que está aí? Está aí porque eles formaram durante anos, castrando os que pensavam e elegendo os que se vendiam. E agora vêm me falar em corrupção? (LEITE, in: BRYAN, 2012)

Ver mais em:

ARNS, D. Paulo Evaristo. Org. Um relato para história: Brasil nunca mais. 6ª ed. Rio de Janeiro, Vozes, 1985.

LEITE, Dudu Barreto in: BRYAN, Guilherme. Duddu Barreto Leite: “Se abandonei o teatro, foi por perseguição política”. Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/03/duddu-barreto-leite-se-abandonei-o-teatro-foi-por-perseguicao-politica acessado em: 04/04/2012

PERES, João. Na saúde, ditadura começou abertura ao setor privado. Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/03/na-saude-ditadura-comecou-abertura-ao-setor-privado acessado em: 04/04/2012).

Redação da Rede Brasil Atual. Para Chauí, ditadura iniciou devastação física e pedagógica da escola pública. Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/03/para-marilena-chaui-ditadura-militar-fez-com-que-universidades-nao-oferecam-formacao-humanista acessado em: 04/04/2012.

CHAUÍ, Marilena in: TOLEDO, Virginia. Desigualdade no sistema educacional brasileiro é herança do período militar. Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/03/desigualdade-no-educacional-brasileiro-e-heranca-do-periodo-militar acessado em: 04/04/2012

RICARDO, Sérgio in: BRYAN, Guilherme. Sérgio Ricardo: ‘A ditadura deixou o medo de transformação como herança’ disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/03/sergio-ricardo-a-ditadura-deixou-como-heranca-um-medo-no-povo-brasileiro-de-tentativa-de-transformacao acessado em: 04/04/2012

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