Cuba, a medicina do terror!

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16 de maio de 2013 por deglutindopensamentos

Eliton Felipe427273_423699264379090_1925993822_n

VIVA A MEDICINA CUBANAO Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que o governo federal pretende importar médicos para atuarem em áreas distantes dos grandes centros urbanos brasileiros. Esse profissionais devem vir, principalmente da Espanha e de Portugal. Isso mesmo, Espanha e Portugal, que são, respectivamente o 6º e o 11º melhores sistemas de saúde do mundo de acordo com a OMS.

Além dos países europeus, devem ser importados cerca de 6 mil médicos cubanos. Mas se a prioridade está nos dois da Europa, por que todo esse estardalhaço com o caribenhos?

Portugal, o 11º melhor sistema de saúde, como eu já falei, importa desde 2009 médicos de Cuba que foram aprovados pela população e referendados em 2012, quando o governo renovou o contrato. Além deles, vários outros países fazem o mesmo. Inglaterra, Estados Unidos e Canadá, por exemplo, possuem um índice de 37%, 25% e 22%, de médicos estrangeiros respectivamente. Por aqui, esse número é menor do que 2%. O problema está em trazer profissionais de outros países ou em trazer cubanos para atuarem aqui?

Em momento algum foi dito que o exercício da medicina se daria sem que fossem realizadas as provas de validação do diploma, pelo contrário, o ministro deixou bem claro que todos os médicos estrangeiros terão de se submeter aos testes brasileiros. Aí temos um novo problema, segundo Pedro Saraiva, médico brasileiro que atua em Portugal, o último grupo de médicos cubanos que chegaram ao país europeu foi de 60 profissionais, desses 44 foram aprovados n exame português, ou seja, 73,3%. No Brasil, em 2012, de 182 médicos cubanos inscritos, apenas 20 foram aprovados, 10,9%. O que fez com que os números trouxessem uma diferença tão grande?

Para Saraiva, seria interessante que os médicos brasileiros fossem submetidos ao mesmo exame ao final do curso de medicina. Assim saberíamos se o teste está sendo justo ou não. Se o Conselho Federal de Medicina diz que a medicina de Cuba é de má qualidade, deveria, portanto explicar por que, com muito menos recursos tecnológicos e com uma suposta inferioridade qualitativa, o país tem índices de saúde infinitamente melhores que o Brasil e semelhantes à avançada medicina americana.

O Centro de Imunologia Molecular de Havana, desenvolveu, em 1985, a vacina contra a meningite B, mais tarde contra a hepatite B e a dengue. Além disso, tem um dos trabalhos mais avançados na busca para desenvolver uma vacina contra o HIV.

Cuba desenvolveu duas vacinas para o câncer de pulmão. 86 países participaram dos ensaios clínicos que mostram que essas vacinas, mesmo não curando a doença, reduzem de forma significativa os tumores e estabilizam a doença, aumentando a expectativa de vida dos pacientes.

Os médicos contratados pelo governo brasileiro não vêm para cá para trabalharem com medicina especializada e ultra-sofisticada. Eles vão tratar diarreia e desidratação, vão cuidar das coisas mais simples e que garantem qualidade de vida. Vão fazer a medicina preventiva na qual os cubanos são os melhores. Como disse Saraiva “Não é preciso grande estrutura para fazer o mínimo. Essa população mais pobre não tem o mínimo!”.

Mas aí vem o cidadão e diz que o governo federal deveria dar estrutura e pagar melhor aos médicos brasileiros para que esses quisessem atuar nas áreas periféricas do país. O que, além de ser uma fala totalmente xenofóbica, principalmente quando vemos os dados dos outros países, não está de todo correto. O governo federal criou em setembro de 2011 o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), com salários mensais de R$ 8 mil mais benefícios e progressão de carreira para os profissionais que vão para as periferias. Resultado: até hoje apenas 4 mil médicos aceitaram participar do programa.

Desde os tempos da faculdade que Cuba me interessa. Um dos pontos chave desse interesse sempre foi o sistema de saúde do país. Li muito e ouvi falar mais ainda, que se tratava do melhor do mundo, tinha muita curiosidade em conhecê-lo de perto. A seguir, tentarei explicar em números o que é a medicina cubana.

No dia 22/04, meu primeiro dia em Caimito, passeando de bicicleta livremente pela cidade, tive a oportunidade de visitar uma policlínica. O primeiro contato e a primeira surpresa: Não havia filas! Aliás, havia sim, uma, com cinco pessoas para pegar remédios. Ninguém dormindo nos corredores, ninguém esperando um médico que nunca virá.

Isso foi o resultado de um processo iniciado pelo governo da Ilha, logo após a Revolução, que desenvolveu um sistema nacional de cobertura a todos os cidadãos, sem exceções de nenhum tipo. O sistema foi dividido da seguinte maneira: o médico de família que, geralmente, está em pequenas clinicas a cada duas quadras, garantindo o trabalho de prevenção de doenças; o clínico geral de bairro, como os nossos postos de saúde; os hospitais de zona e os institutos especializados, que cuidam de traumas e/ou doenças que precisam de tratamento a longo prazo ou têm maior complexidade.

Em Cuba, o governo não financia a iniciativa privada, pois não existe hospital privado ou plano de saúde. Todo o sistema, incluindo todo e qualquer tipo de atendimento, desde uma unha encravada a uma neurocirurgia, é gratuito. Os medicamentos que só podem ser adquiridos com receita médica, têm preços quase irrisórios, pois o Estado subsidia a maior parte.

Toda a assistência odontológica é oferecida pelo governo também.

O resultado prático de tudo isso fica visível nas comparações efetuadas pelas Nações Unidas. Mesmo com uma população pobre e oprimida por um bloqueio econômico genocida, Cuba ocupa hoje, o terceiro lugar no continente americano, quando se trata da expectativa de vida, 76 anos para os homens e 80 para mulheres com uma esperança de vida média de 79,1 anos para o povo cubano. Em relação as crianças, os dados apontam para o índice de 4,8 mortes a cada 1.000 nascimentos, nível comparável, na América, apenas ao do Canadá.

Se pararmos para pensar que antes da Revolução de 1959, existiam na Ilha, apenas seis mil médicos, a maioria em Havana e que estes estavam, quase todos, dedicados ao exercício privado da medicina. A expectativa de vida da população cubana era inferior a 60 anos e a mortalidade infantil chegava ao absurdo patamar de sessenta para cada mil nascidos vivos, à época, o país contava com apenas uma escola de medicina, fica claro o avanço conseguido pelos revolucionários.

O modelo de saúde cubano teve diferentes etapas. Na década de 1960, criou-se o Serviço Médico Rural, visto que a população do campo não possuía cobertura médica à época da Revolução, iniciou-se então, um amplo programa de vacinação com a massiva participação da sociedade. Na década de 1970, a docência médica foi desconcentrada e espalhada por todas as províncias do país. Nos anos de 1980, foi estabelecido o modelo de medicina familiar que constitui o pilar mais importante dos avanços na área; iniciaram-se a introdução da tecnologia avançada e o desenvolvimento acelerado da industria químico-farmacêutica. A partir dos anos de 1990, generaliza-se a introdução dos avanços da ciência e da técnica na saúde.

Para uma população de pouco mais de 11 milhões de habitantes, distribuídos em 14 províncias e no município especial Isla de la Juventud, Cuba conta com mais de 70.000 médicos, 81.459 enfermeiros, 10.000 dentistas e mais de 66.000 técnicos da saúde. Estudam no sistema nacional de saúde 49.707 pessoas, dos quais 9.226 são estrangeiras de todos os continentes.

Escola Latinoamericana de Medicina (Elam-cuba)

Escola Latino-americana de Medicina (Elam-cuba)

– Mais de 14.671 consultórios de médicos da família
– 445 policlínicos
-164 clínicas de odontologia
– 265 hospitais
– 13 institutos de pesquisa
– 22 faculdades de Medicina
– 645 outras instituições

Se no ano da Revolução Cubana, Cuba contava apenas com uma Escola Médica e 6000 médicos, hoje conta com 70.594 médicos, dos quais 33.769 são médicos de família, com uma cobertura total do território, sendo dado grande ênfase às zonas rurais.

Para isso, Cuba necessitou realizar um conjunto de reformas e investimentos, tendo priorizado a formação de recursos humanos, em quantidade e qualidade, e a criação de uma rede de Institutos e Faculdades que existe até hoje:

. 22 Faculdades de Medicina

. 1 Escola Latinoamericana de Medicina com 12 Faculdades de Formação

. 4 Faculdades de Estomatologia

. 4 Faculdades de Enfermagem

. 4 Faculdades de Tecnologias da Saúde

. 1 Escola Nacional de Saúde Pública com 15 centros provinciais no país.

. 29 Faculdades para o programa de formação de médicos latino-americanos.

. 245 Policlínicos universitários

Sendo que o número de estudantes matriculados no sistema de formação ascende a 159.526, entre estes 149.123 cubanos e 10.403 de outros países.

Além do trabalho na própria ilha, o governo cubano possui o projeto de médicos internacionalistas que, ao contrário de Brasil e Estados Unidos que enviam militares a zonas de conflito e países pobres, envia médicos na tentativa de sanar epidemias e amenizar os problemas, onde a qualidade de vida é reduzida pela falta ou não existência de assistência médica. Esse projeto teve início na década de 1960.

1960

Chile Terremoto

5000 mortos

Equipe médica

1970

Peru Terremoto

60000 mortos

Equipe médica, 6 Hospitais Rurais

106000 unidades de sangue

1972

Nicaragua Terremoto

5000 mortos

Equipe médica e medicamentos

1974

Honduras Furacão Fifi

2000 mortos

Equipe médica

1990

União Soviética Chernobyl

17733 crianças tratadas em Cuba,

até Outubro de 2004

1996

Brasil Exposição a radiação

52 doentes tratados em Cuba

1998

América Central Furacão Mitch

30000 mortos

Equipes médicas

1998

Haiti Furacão Georges

Equipe médica

1999

Venezuela Cheias

9000 mortos

Equipe médica

2000

El Salvador Epidemia de Dengue

10000 casos em 16 semanas.

Equipe médica, equipamento

e aconselhamento

Em 19 de Setembro de 2005, após a catástrofe causada pelo Furacão Katrina em New Orleans, nos Estado Unidos, o governo cubano criou o Contingente “Henry Reeve”, que atende situações de grandes desastres naturais e epidemias. Composto por 10.000 médicos, enfermeiros e graduandos do curso de Medicina, está hoje deslocado para o Haiti, onde atende as vítimas do terremoto de Janeiro de 2010.

Outubro 2005

Paquistão Terremoto

75000 mortos, 3,3 milhões de desalojados

2465 equipes médicas

32 hospitais de campo

(durante 7 meses)

Outubro 2005

Guatemala Furacão Stan

670 mortos, 300000 desalojados

600 equipes médicas

e medicamentos

(3 meses)

Fevereiro 2006

Bolívia Cheias

140 equipes médicas

20 hospitais de campo

Junho 2006

Indonésia Terremoto

6000 mortos

135 equipes médicas

2 hospitais de campo

Os médicos internacionalistas cubanos estão divididos entre vários programas pelo mundo. Com a Argélia e com a China, por exemplo, Cuba realiza um intercâmbio de bens e serviços, mediante o envio de 280 médicos para a Argélia e a construção de 9 centros oftalmológicos na Argélia e 1 na China.

O Programa Integral de Saúde realizado por profissionais cubanos, está presente hoje em 31 países com 2.777 colaboradores, onde 1.979 são médicos. Os 400 departamentos, em que existe esta colaboração atingem uma população de 59.174.683 pessoas, sendo realizadas, nos últimos 7 anos de cooperação, 80.285.750 consultas médicas, 2.152.479 intervenções cirúrgicas, e salvando 1.528.497 vidas.

Local

Trabalhadores

Médicos

População atingida

África Subsahariana (23 países)

1 117

816

48.573.000

América Latina (5 países)

2 232

1 592

13.026.055

Caribe (7 países)

640

322

5 975 609

Norte da África e Oriente Médio (1 país, RASD)

9

8

n/d

Ásia e Oceania (6 países)

249

178

964 416

Europa (1 país: Ucrânia)

6

4

N/d

Em 2004 o governo cubano criou um programa de cooperação internacional chamado Operacíon Milagro na tentativa de reduzir os problemas relacionados a visão em países que não têm a possibilidade de dar cobertura nessa área à seus habitantes. Fazem parte desse projeto 239 médicos, beneficiando gratuitamente 513.664 pacientes, destes 95.131 da América Latina, 24.797 do Caribe, 305.930 Venezuelanos e 97.806 cubanos. Também foram operados 425.858 doentes provenientes do resto do mundo. Além disso, foram criados 29 centros cirúrgicos de alta tecnologia em 6 países (12 na Venezuela, 11 na Bolívia, 2 Equador, 1 na Guatemala, 2 no Haití e 1 em Honduras).

A parceria com Bolívia e Venezuela se estende através do “Programa Especial com a Bolívia e a Venezuela”. No “Plano Barrio Adientro”, da Venezuela, trabalham 24.464 cubanos, onde 13.153 são médicos, atuando em todo o país, com maior relevância às zonas rurais, onde a assistência médica praticamente não havia. Na Bolívia, colaboram 1.607 cubanos, destes 1.220 médicos, atuando nas 9 províncias do país, em 20 Centros de Diagnóstico Integral doados por Cuba.

Fazendo jus ao lema cubano que diz que solidariedade não é dividir o que nos sobra, mas o pouco que temos, os cubanos garantem o melhor atendimento do mundo aos seus conterrâneos e ainda fazem o mesmo trabalho em países que possuem dificuldades nessa área. Enquanto conversava com Letícia, uma cubana que trabalhava conosco no acampamento, era difícil explicar a ela que no Brasil pessoas morrem por falta de médicos, não há pediatras suficientes para atender a todas as crianças, e que os doentes têm de dormir nos corredores dos hospitais. Fácil de entender a sua incompreensão quando analisamos os dados da medicina cubana, “como pode existir pessoas dormindo em corredores no Brasil, um dos países mais ricos do mundo se em Cuba, mesmo com todos os problemas econômicos isso não ocorre?” Encerro o texto com esse questionamento, esperando que, algum dia, possamos resolver os nossos problemas na saúde como os cubanos conseguiram resolver os deles.

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10 pensamentos sobre “Cuba, a medicina do terror!

  1. Mauricio B M Rocha disse:

    Os numeros e estatisticas de qualquer pais fechado (seja la qual for seu sistema economico/politico), submetido a embargo internacional e tambem `a mao de ferro de seus governantes, que nao permitem a livre circulacao dos cidados para o exterior, simplesmente nao sao confiaveis. Como comparar a saude cubana com a do resto do mundo, se qualquer numero fornecido e’ simplesmente uma incognita?

    • http://www.viomundo.com.br/politica/dois-medicos-norte-americanos-avaliam-o-sistema-de-saude-de-cuba.html para ajudar a confiar mais nos números, ainda que esses sejam corroborados pela ONU e, portanto, já são bastante confiáveis.

      • Mauricio B M Rocha disse:

        O texto indicado pelo blog apresenta varios pontos positivos sobre o sistema de saude cubano (ex baixo indice de mortalidade infantil, ampla cobertura, fartura de profissionais), mas tambem alguns pontos negativos (ex alto indice de mortalidade materna, pouco acesso a informacao, recursos tecnologicos limitados) No momento estou pesquisando no site da WHO sobre os indicadores daquele pais, mas veja bem: qualquer indicador da WHO sera produzido com dados fornecidos pelo governo cubano, e o meu ponto e justamente esse – devemos confiar nos dados fornecidos por um regime fechado, ditatorial? Serao isentos? O proprio artigo dos medicos norte americanos lembra que nao ha um sistema de divulgacao dos resultados. Infelizmente, conceitos como eficiencia sao melhor mensurados no cruel sistema capitalista rsrs. Mas como nao sou maniqueista, procuro fugir do raciocinio binario esquerda X direita, e desconfio tanto daqueles que abominam a vinda de medicos cubanos simplesmente por serem cubanos quanto daqueles que defendem cegamente a vinda de medicos cubanos simplesmente por serem… cubanos. Como medico, gosto muito de entrar em contato com colegas de outros paises e culturas, e tenho o privilegio de ser amigo e ter trabalhado com um excelente medico cubano durante 2 anos no RJ. Ele proprio nao elogiava tanto o sistema de seu pais, e decidiu ficar no Brasil apos vir para um estagio. Se queixava muito do fato do cidadao cubano nao ter liberdade para sair da ilha (direito de ir e vir). Porem, sempre me contava que a cultura geral do cidadao cubano era, em media, muito superior a do cidadao brasileiro. Enfim, e’ muito mais interessante deixar a miopia da ideologia de lado e procurar observar o mundo como ele realmente e, sem tolas posicoes extremadas. No mais, que venham os cubanos, espanhois, portugueses, suecas, e espero que esses acordos permitam a reciprocidade ou seja, adoraria trabalhar um tempo em Cuba, Portugal ou Espanha.

    • Gregorio Unbehaun Leal da Silva (201300409) disse:

      Releia: “Aí temos um novo problema, segundo Pedro Saraiva, médico brasileiro que atua em Portugal, o último grupo de médicos cubanos que chegaram ao país europeu foi de 60 profissionais, desses 44 foram aprovados n exame português, ou seja, 73,3%. No Brasil, em 2012, de 182 médicos cubanos inscritos, apenas 20 foram aprovados, 10,9%. O que fez com que os números trouxessem uma diferença tão grande?” De onde vem esse dado?

    • Gregorio Unbehaun Leal da Silva (201300409) disse:

      O dado apresentado no ínicio do texto sobre a aceitação de médicos cubanos e estrangeiros em outros países, vai contra sua tese, muitos dos dados apontados partiram de países “abertos”. Vale também colocar um problema cultural envolvido. Aquilo que o ignorante do Prates colocou tem muita verdade, “eles não querem ficar longe da balada” ora ele tem razão que médico que geralmente vem de família classe média ou rica vai querer morar no interior do piauí ou na periferia de São Bernardo do Campo. Não tem política que se faça, que se convença os “filhinhos de papais” a irem à esses locais. Não quero generalizar sei que há médicos que enxergam o belo dessa profissão, exemplo disso é os que se inscrevem em projetos.como o projeto Rondon. O Felipe me disse que tem munícipio no interior da Bahia oferecendo trinta mil/mês e não aparece ninguém. Ora trazer médicos que supram essa demanda é algo interessante. O numero de médicos estrangeiros em outros países mostra isso.

      Uma outra ideia: seria uma obrigação a alunos de medicina e enfermagem das universidades publicas, de após se formarem trabalharem dois anos no SUS, ajudaria. Mas isso é só uma ideia.

      • Mauricio B M Rocha disse:

        Quanto ao que voce falou sobre os dados do texto, nao entendi direito, eu estava me referindo aos dados fornecidos por Cuba mas enfim..

        Agora sobre o que voce falou sobre o desinteresse dos medicos pelos empregos no interior:

        Primeiramente, se eles estao oferecendo R$ 30 mil, na verdade o medico ira receber aproximadamente R$ 18 mil apos os descontos de IR/INSS. Ainda assim um otimo salario, sem duvida. Por isso, deve haver algum motivo outro que a ausencia de “baladas” por perto. Ocorre que esses municipios que oferecem rios de dinheiro assim o fazem porque nao tem estrutura minima para o trabalho do medico. Os prefeitos e secretarios de saude, corruptos em sua maioria, recebem vultuosas quantias do governo federal mas ao inves de construir e equipar hospitais/postos de saude, usam o dinheiro para compra de votos sob a forma de contratacao de funcionarios mil para a prefeitura (outro esquema comum e a compra de ambulancias e carros superfaturados, justamente para despejar os pacientes nos hospitais das grandes cidades). Com a grana que sobra, oferecem esse salario alto. O medico que topa ir la (eu ja topei), ao assumir seu emprego em Cacimbinhas do Norte se deparara com a seguinte situacao: nao ha raio x, nao ha hemograma, nao ha cirurgiao geral e muito menos centro cirurgico para operar uma apendicite, nao ha um cardiologista para realizar um ecocardiograma, nao ha pediatra nem obstetra. E veja bem, nao estamos falando de medicina complexa e moderna, mas de recursos extremamente basicos, aos quais todo cidadao deveria ter acesso – esta na Constituicao. O medico fica o primeiro mes, o segundo, no terceiro a prefeitura ja avisa que nao podera manter aquele valor, no quarto mes, apos passar horas de terror com um paciente grave nas maos sem ter para onde encaminhar, ele desiste. E vai sim, morar numa cidade maior onde ganhara menos mas tera muito mais seguranca e tranquilidade para trabalhar e – por que nao – uma noitada (nao se fala balada onde eu nasci) por perto para curtir. Ele esta errado? Se os salarios sao tao bons, sera que sao apenas as noitadas que seguram os caras na capital? Nao sou contra, de maneira nenhuma, a vinda de medicos estrangeiros para o Brasil. Desde que a) passem pelo mesmo processo a que se submetem os medicos brasileiros formados no exterior e b) haja reciprocidade: se eles podem vir para ca, eu tambem quero poder ir para la. Gostaria muito de passar uns 6 meses trabalhando em Portugal, 6 meses na Espanha e uns 2 meses trabalhando em Cuba rs. No mais, e de um romantismo ingenuo, para nao falar hipocrisia mesmo, cobrar que os medicos trabalhem no interior por puro idealismo ou pela beleza da profissao. Muitos tem esposa/filhos, muitos se formaram com enorme esforco, e mesmo os playboys “filhinhos de papai” tem o direito de buscar o melhor para si (seja la qual for o melhor no conceito de cada um). Afinal, tambem devem faltar advogados, engenheiros, dentistas la em Cacimbinhas do Norte.
        O problema e que no Brasil sempre se tapa o sol com a peneira. Ao inves de melhorar as escolas publicas, insituimos cotas para que os alunos entrem na universidade. Ao inves de melhorar as condicoes de trabalho para o medico no interior, vamos trazer mais medicos – que estarao expostos as mesmas condicoes degradantes. Entenda, nao basta oferecer 30, 40 mil. Tem que ter seguranca, estrutura, se nao ninguem vai se arriscar. Reafirmo, nada contra a vinda de cubanos, chineses, tunisianos, aborigenes australianos. Mas isso com certeza nao vai alterar o esquema que rola no interior (desvio e mau uso do dinheiro do SUS).

      • 1.Você se posicionou de forma similar ao meu pensamento tenho pouco a acrescentar. Mas em relação aos materiais que você disse raio-x, etc, está falha ocorre mesmo devido a este tosco e injusto Brasil com seus prefeitos sanguesugas. Você que é médico (não justificando o fato de não ter remédios e equipamentos) o que é mais importante o Médico ou equipamento?
        Penso que é melhor um médico sem equipamento do que médico nenhum no que concordamos e o tipo de medicina cubana preventiva, se encaixaria bem a essas regiões com poucos recursos.

        2.Cair de 18 para 14 mil ainda é muita grana. Já ouvi médicos disserem “que vão fazer o pé de meia, nestas cidadezinhas” Será que os médicos estão tão preocupados com a falta de equipamento mesmo, ou está é apenas algo secundário na hora de pesar a decisão?

        3.Quem falou balada foi o prates. Eu falo festa mesmo.

        4. Os dados que disse são os dados de outros países sobre a presença de médicos cubanos que aparecem no ínicio do texto.

        5. Quanto a questão das cotas sua leitura é pertinente mas um pouco simplista, recomendo a leitura aqui no blog mesmo do texto “Cotas pra que te quero”, para te fazer refletir sobre o tema.

        Até fiquei ‘triste’ que você concorda com a vinda de médicos do exterior, pois teremos que parar por aqui. Pois a maioria dos médicos que conversei num ato corporativista são contra. hehhehe

        Apenas sobra uma reflexão:

        QUANTO A IDEIA “seria uma obrigação a alunos de medicina e enfermagem das universidades publicas, de após se formarem trabalharem dois anos no SUS, ajudaria. Mas isso é só uma ideia.” Pelo que li existe um projeto de lei semelhante a esta ideia defendido certa vez por Cristóvão Buarque. Mas os que fazem estes cursos em sua maioria estão preocupados com a medicina privada e uma obrigação diminuiria esta falta de médicos. Não te posicionasse.

        recomendo a leitura: http://csunidadeclassista.blogspot.com.br/2013/07/porque-os-medicos-cubanos-assustam.html#.UdV-6Tukq7L

        ….que sintetiza bem esses problemas brasileiros. Grande atenção ao fato ocorrido no Tocantins.

        Grego

    • “Essa não é a primeira investida radical do CFM e da Associação Médica Brasileira contra a prática vitoriosa dos médicos cubanos entre nós. Em 2005, quando o governador de Tocantins não conseguia médicos para a maioria dos seus pequenos e afastados municípios, recorreu a um convênio com Cuba e viu o quadro de saúde mudar rapidamente com a presença de apenas uma centena de profissionais daquele país.

      A reação das entidades médicas de Tocantins, comprometidas com a baixa qualidade da medicina pública que favorece o atendimento privado, foi quase de desespero. Elas só descansaram quando obtiveram uma liminar de um juiz de primeira instância determinando em 2007 a imediata “expulsão” dos médicos cubanos.” Fonte
      ( http://csunidadeclassista.blogspot.com.br/2013/07/porque-os-medicos-cubanos-assustam.html#.UdV-6Tukq7L )

      Esses dados são de um país “fechado” ?

  2. svsbarreto disse:

    texto falacioso por demais, não citou o fator mais importante para os bons índices da saúde pública cubana: a educação da população. Sem educação do cidadão não tem quantidade de médico que resolva péssimos índices de saúde pública, sem falar que o quase isolamento de sua pequena população facilita as ações educativas referentes a prevenção. Lorota pra convencer petista aloprado esse texto.

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