Uma juventude água com açúcar

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7 de maio de 2013 por deglutindopensamentos

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Somos tão jovens: Aborto Elétrico e Plebe Rude

Somos tão jovens: Aborto Elétrico e Plebe Rude

Na última sexta-feira fui ao cinema, algo que não tenho feito com muita frequência dado aos preços exorbitantes cobrados pelo monopólio de exibição de filmes existente em Joinville. O filme era Fomos tão jovens, baseado na história do cantor e compositor, líder da banda Legião Urbana, Renato Russo.

Confesso que, depois de ver o trailer, não nutria muitas expectativas, mas, como fã incondicional do personagem principal, não podia deixar de assistir. Ingressos nas mão, balde de pipoca, coca-cola gelada, esposa na poltrona ao lado, a sala enchendo aos poucos (coisa rara em filmes brasileiros, o que mostra a importância da Legião Urbana no país, afinal de contas, um cantor que, mesmo depois de quase 17 anos falecido, ainda vende 200 mil cópias de discos anuais, tem lá o seu valor), cinema quase lotado, um arroto (é, isso mesmo. Um baita arroto no silêncio do cine), alguns murmurinhos e a tela começa a transmitir as primeiras imagens.

Depois de alguns trailers engraçadinhos e um baita vídeo de Faroeste Caboclo (filme também baseado na obra de Renato Russo) a película começa e, já de cara, uma das melhores canções da legião cantada pelo ator Thiago Mendonça intercortado pela canção original, o que parece ser muito bom.

De repente, na tela, um Renato Russo ainda jovem, com seus 15 anos, pedalando pelas ruas de Brasília quando, como que atingido por um tiro, ele é fisgado por uma terrível dor na bacia e cai. Levado ao hospital é diagnosticado com epifisiólise, doença que o coloca na cama por 6 meses. Aí o filme começa a se mostrar fraco. Um médico feliz dando uma noticia extremamente dolorosa para uma família de comercial de margarina (Marcos Breda, pai; Sandra Corveloni, mãe; Bianca Comparato, irmã). As cenas seguintes mostram um Renato Russo tranquilo em casa lendo ou ouvindo música. De fato, esse foi o período em que ele mais leu e mais ouviu discos, foi onde formou o seu estilo musical e seu caráter filosófico, digamos assim, mas, com certeza, foi também, um dos momentos mais difíceis de sua vida e que foi retratado de forma “fofinha” de mais.

A partir daí o filme passa a ser uma mistura de comercial de margarina (família Manfredine) e festas. O tema da sexualidade passa como se tivesse sido muito fácil de resolver, as drogas são deixadas de lado, o processo criativo praticamente esquecido. Isso tudo para dar espaço a uma personagem fictícia (Aninha) que, na película, parece ter tanta importância quanto o próprio compositor.

Claro que há, também, pontos altos. Alguns atores se destacam. André Petrorius, interpretado por Sérgio Dalcin, é, exatamente, do jeito que se podia imaginar. Um Edu Moraes, que deve ser irmão gêmeo de Hebert Vianna, impressiona pelos gestos, fala e semelhança com o personagem original. Dinho Ouro Preto (Ibsen Perucci) aparece na tela e você já sabe quem é. Até mesmo Nicolau Villa-Lobos, que interpreta o pai, Dado Villa-Lobos, se sai muito bem em seu primeiro papel no cinema. A trilha sonora é sensacional, com arranjos inusitados e muito bonitos para algumas das melhores letras da Legião.

Fora isso, é frustrante. Tudo bem que o filme acaba antes da entrada de Renato Rocha para a banda, mas não fazer nem menção ao baixista foi sacanagem.

O filme acabou e eu fiquei esperando aquelas letrinhas subindo com as informações que não couberam no tempo do filme. Coisas do tipo “André Petrorius serviu no Serviço de Inteligência sul-africano por dois anos e voltou ao Brasil atormentado pelos anos de treinamento, morreu de overdose de heroína na Inglaterra em 1987, especula-se que tenha cometido suicídio.” Ou então, “Em 1983, Renato Rocha entra para a banda e participa da gravação do primeiro disco ‘Legião Urbana’ como baixista.” E por aí vai. Não, nada, nem uma linha! Bom, a vida segue e esperemos que Faroeste Caboclo supere as expectativas. Pelo menos as mais simplórias.

Indico a Peça “Renato Russo” aí sim, quem é fã, vai chorar, e muito!

renato-russo

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