Para alguns mestres com carinho, para outros nem tanto

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23 de abril de 2013 por deglutindopensamentos

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Escutando Cazuza, me bateu uma saudade da faculdade. Das nossas brigas e discussões, das nossas festas e de tudo o que aqueles quatro anos representaram, o que me fez lembrar desse discurso…

Entre janeiro de 2005 e dezembro de 2008, estivemos submetidos ao conhecimento e as experiências daqueles que, nos mostrariam os possíveis caminhos a percorrer em nossa jornada como futuros educadores. Vimos e ouvimos de Nietzsche a Piaget, de Marx ao garçom do Sandubom. Nesses momentos, ou em muitos deles, estiveram presentes nossos mentores, professores e professoras responsáveis por nos conduzir em direção aos teóricos, aos filósofos, aos pensadores e as práticas pedagógicas.

 

Desde os primeiros meses na Universidade percebemos que nem sempre a teoria era condizente com a prática. Sabíamos que era difícil agradar a todos, que um educador jamais conseguirá atingir os alunos como um todo, e que, mesmo assim, as exceções poderiam suplantar as dificuldades e percorrer com suas próprias pernas os degraus do conhecimento. Nos quatro anos de curso vimos, por exemplo, professores serem criticados, pelo corpo discente, inclusive sofrendo o afastamento temporário, e mesmo assim, a prática pedagógica não mudou.

 

Quando ingressamos no Curso de história, éramos 30 colegas entusiasmados, cheios de sonhos e de planos. Lembro-me, com felicidade e um pouco de nostalgia, do teatro de 2005, o João com seu vestido tubinho, nos levou para próximo do cotidiano de um educando do Ensino médio ou fundamental. As saídas a campo para São Chico e para o Caieiras nos aproximaram do mundo da história existente fora da academia que nos prendia. Foi naquele ano que o Car nos apavorou e que Nietzsche surgiu para mim. As discussões nas aulas de política esquentavam os ânimos da turma. Houve até um movimento tentando afastar o professor Afonso. Hoje, aqui está o Afonsão, que nos honra em ser nosso paraninfo e com certeza, será sempre um grande amigo de todos nós.

 

Seguimos em frente, chegamos ao 2º Ano. As amizades se estreitavam, mas os amigos diminuíam. Recebemos, naquele ano, alguns colegas que permaneceriam conosco até o fim. A psicologia falava do crescimento das crianças, mas não falava do nosso. Conhecemos o Michel de Certau. O Douglas nos convenceu de que Maria Louca havia se suicidado em um dos momentos de práticas pedagógicas daquele ano. Descobrimos também, que depende do professor tornar as aulas agradáveis. Quando propomos conhecer um engenho, tivemos como resposta “eu posso passar um filme”. Ao mesmo tempo, conhecemos São Paulo e seus museus. Surgiram os seminários e descobrimos que os pioneiros da historiografia catarinense estavam entre nós. Naquele ano tivemos o primeiro contato com o estágio.

 

2006 ficou para trás e 2007 surgiu como um momento nublado em nossas vidas. Perdemos menos amigos naquela passagem de tempo, mas isso não significou maiores facilidades. Enquanto colocávamos a interdisciplinaridade em ação com a aula sobre Revolução Farroupilha que demos para o 1º ano, ainda “Era muita brincadeira para pouco conhecimento”. Conhecimento esse que tivemos de sobra quando apresentamos, juntamente com o curso de Letras, a aula-show sobre Samba e história. Compreendemos, não sem dor, que Marx era importante e devia ser estudado. Fomos para a sala de aula conhecer o mundo do educador e percebemos que não seria fácil. Nesse ano, a figura de duas professoras que eu levo como mestras para o resto da vida, fizeram com que eu não desistisse no meio do caminho. Agradeço de coração a professora Marta e a professora Raquel.

 

A discussão que tivemos naquele ano com alguns educadores, nos deixou claro que alguns professores eram incapazes de compreender que a única coisa que queríamos era uma educação de qualidade. O que nos trouxe sérios problemas no inicio do 4º ano.

 

O ano derradeiro se apresentou. Mesmo com os problemas ocasionados pela situação que se estabeleceu no fim do ano letivo anterior, 2008 nasceu como a luz no fim do túnel. Éramos 30 colegas no inicio, agora éramos apenas 18 (ver quantos) originais da turma de 2005. O alto preço das mensalidades ceifou alguns sonhos, mas lhes garanto que essa não foi à única causa.

 

Hoje, vejo que muito do que eu sentia em relação ao Sistema Educacional, ou pelo menos, o que ainda restava de esperança, se desfez quando a lista da GERED saiu no final do ano passado. Todos nós temos problemas, e isso é fato. Ninguém aqui é melhor do que ninguém, mas todos aqui batalharam e batalham para a cada dia ser um educador que supra as necessidades dos nossos educandos, porém, muitos de nós estavam em posições que nos impedia de dar aula, ou, pelo menos, adiava e muito a nossa realização profissional e que, em contra partida, alguns que desde o início não tiveram comprometimento com a educação, com os colegas de classe ou com os educadores puderam empinar o nariz e dizer “Eu sou professora!”. Todos nós temos a nossa parcela de culpa, mas lembrem-se, caros mestres, de todos os professores observados por nós no campo de estágio e que relatamos o assassinato que eles cometiam com os educandos, lembrem-se de que um dia estiveram aqui no nosso lugar, um dia passaram por vocês e vocês os colocaram lá

 

Para encerrar gostaria de ler trechos de duas músicas, O poema, de Cazuza e Novamente de Ney Matogrosso.

 

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com o seu carinho e lembrei de um tempo, porque o passado me traz uma lembrança do tempo em que eu era criança, que o medo era motivo de choro, desculpa para um abraço ou um consolo. Hoje eu acordei com medo, mas não chorei, nem reclamei abrigo, do escuro eu via o infinito sem presente, passado ou futuro, senti um abraço forte, já não era medo, era uma coisa sua que ficou em mim, de repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa, morna e ingênua que vai ficando no caminho que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado pela beleza do que aconteceu a minutos atrás”.

 

Ao mesmo tempo em que machuca, o tempo me passeia. Quem sabe o que se dá em mim quem sambe o que será de nós, o tempo que antecipa o fim também desata os nós, quem sabe soletrar adeus sem lágrimas e nenhuma dor os pássaros atrás do sol, as dunas de poeira o céu de anil do polo sul, a dinamite do paiol não há limite no anormal é que nem sempre o amor é tão azul, a música preenche a sua falta, motivos dessa solidão sem fim se alinham pontos negros de nós dois que arriscam uma fuga contra o tempo, o tempo salta quem sabe o que se dá em mim quem sabe o que será de nós, o tempo que antecipa o fim também desata os nós”.

 

 

Entre janeiro de 2005 e dezembro de 2008, estivemos submetidos ao conhecimento e as experiências daqueles que, nos mostrariam os possíveis caminhos a percorrer em nossa jornada como futuros educadores. Vimos e ouvimos de Nietzsche a Piaget, de Marx ao garçom do Sandubom. Nesses momentos, ou em muitos deles, estiveram presentes nossos mentores, professores e professoras responsáveis por nos conduzir em direção aos teóricos, aos filósofos, aos pensadores e as práticas pedagógicas.
Desde os primeiros meses na Universidade percebemos que nem sempre a teoria era condizente com a prática. Sabíamos que era difícil agradar a todos, que um educador jamais conseguirá atingir os alunos como um todo, e que, mesmo assim, as exceções poderiam suplantar as dificuldades e percorrer com suas próprias pernas os degraus do conhecimento. Nos quatro anos de curso vimos, por exemplo, professores serem criticados, pelo corpo discente, inclusive sofrendo o afastamento temporário, e mesmo assim, a prática pedagógica não mudou.
Quando ingressamos no Curso de história, éramos 30 colegas entusiasmados, cheios de sonhos e de planos. Lembro-me, com felicidade e um pouco de nostalgia, do teatro de 2005, o João com seu vestido tubinho, nos levou para próximo do cotidiano de um educando do Ensino médio ou fundamental. As saídas a campo para São Chico e para o Caieiras nos aproximaram do mundo da história existente fora da academia que nos prendia. Foi naquele ano que o Car nos apavorou e que Nietzsche surgiu para mim. As discussões nas aulas de política esquentavam os ânimos da turma. Houve até um movimento tentando afastar o professor Afonso. Hoje, aqui está o Afonsão, que nos honra em ser nosso paraninfo e com certeza, será sempre um grande amigo de todos nós.
Seguimos em frente, chegamos ao 2º Ano. As amizades se estreitavam, mas os amigos diminuíam. Recebemos, naquele ano, alguns colegas que permaneceriam conosco até o fim. A psicologia falava do crescimento das crianças, mas não falava do nosso. Conhecemos o Michel de Certau. O Douglas nos convenceu de que Maria Louca havia se suicidado em um dos momentos de práticas pedagógicas daquele ano. Descobrimos também, que depende do professor tornar as aulas agradáveis. Quando propomos conhecer um engenho, tivemos como resposta “eu posso passar um filme”. Ao mesmo tempo, conhecemos São Paulo e seus museus. Surgiram os seminários e descobrimos que os pioneiros da historiografia catarinense estavam entre nós. Naquele ano tivemos o primeiro contato com o estágio.
2006 ficou para trás e 2007 surgiu como um momento nublado em nossas vidas. Perdemos menos amigos naquela passagem de tempo, mas isso não significou maiores facilidades. Enquanto colocávamos a interdisciplinaridade em ação com a aula sobre Revolução Farroupilha que demos para o 1º ano, ainda “Era muita brincadeira para pouco conhecimento”. Conhecimento esse que tivemos de sobra quando apresentamos, juntamente com o curso de Letras, a aula-show sobre Samba e história. Compreendemos, não sem dor, que Marx era importante e devia ser estudado. Fomos para a sala de aula conhecer o mundo do educador e percebemos que não seria fácil. Nesse ano, a figura de duas professoras que eu levo como mestras para o resto da vida, fizeram com que eu não desistisse no meio do caminho. Agradeço de coração a professora Marta e a professora Raquel.
A discussão que tivemos naquele ano com alguns educadores, nos deixou claro que alguns professores eram incapazes de compreender que a única coisa que queríamos era uma educação de qualidade. O que nos trouxe sérios problemas no inicio do 4º ano.
O ano derradeiro se apresentou. Mesmo com os problemas ocasionados pela situação que se estabeleceu no fim do ano letivo anterior, 2008 nasceu como a luz no fim do túnel. Éramos 30 colegas no inicio, agora éramos apenas 18 (ver quantos) originais da turma de 2005. O alto preço das mensalidades ceifou alguns sonhos, mas lhes garanto que essa não foi à única causa.
Hoje, vejo que muito do que eu sentia em relação ao Sistema Educacional, ou pelo menos, o que ainda restava de esperança, se desfez quando a lista da GERED saiu no final do ano passado. Todos nós temos problemas, e isso é fato. Ninguém aqui é melhor do que ninguém, mas todos aqui batalharam e batalham para a cada dia ser um educador que supra as necessidades dos nossos educandos, porém, muitos de nós estavam em posições que nos impedia de dar aula, ou, pelo menos, adiava e muito a nossa realização profissional e que, em contra partida, alguns que desde o início não tiveram comprometimento com a educação, com os colegas de classe ou com os educadores puderam empinar o nariz e dizer “Eu sou professora!”. Todos nós temos a nossa parcela de culpa, mas lembrem-se, caros mestres, de todos os professores observados por nós no campo de estágio e que relatamos o assassinato que eles cometiam com os educandos, lembrem-se de que um dia estiveram aqui no nosso lugar, um dia passaram por vocês e vocês os colocaram lá
Para encerrar gostaria de ler trechos de duas músicas, O poema, de Cazuza e Novamente de Ney Matogrosso.
“Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com o seu carinho e lembrei de um tempo, porque o passado me traz uma lembrança do tempo em que eu era criança, que o medo era motivo de choro, desculpa para um abraço ou um consolo. Hoje eu acordei com medo, mas não chorei, nem reclamei abrigo, do escuro eu via o infinito sem presente, passado ou futuro, senti um abraço forte, já não era medo, era uma coisa sua que ficou em mim, de repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa, morna e ingênua que vai ficando no caminho que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado pela beleza do que aconteceu a minutos atrás”.
“Ao mesmo tempo em que machuca, o tempo me passeia. Quem sabe o que se dá em mim quem sambe o que será de nós, o tempo que antecipa o fim também desata os nós, quem sabe soletrar adeus sem lágrimas e nenhuma dor os pássaros atrás do sol, as dunas de poeira o céu de anil do pólo sul, a dinamite do paiol não há limite no anormal é que nem sempre o amor é tão azul, a música preenche a sua falta, motivos dessa solidão sem fim se alinham pontos negros de nós dois que arriscam uma fuga contra o tempo, o tempo salta quem sabe o que se dá em mim quem sabe o que será de nós, o tempo que antecipa o fim também desata os nós”.
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