“É a última das acintes”, diz senador Randolfe sobre comissões parlamentares

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15 de abril de 2013 por deglutindopensamentos

DSCF1240O pernambucano, radicado no Amapá, Randolfe Rodrigues (PSOL), 40 anos, é o senador mais novo do Brasil. Eleito em 2010, com 203 mil votos, maior votação da história de seu estado, o socialista recebeu três vezes o prêmio Congresso em Foco, como parlamentar do futuro, pelo combate ao crime organizado e defesa da segurança jurídica e democracia. Em 2012, foi escolhido o terceiro melhor senador.

Em entrevista ao Deglutindo Pensamentos, o senador fala sobre a situação das comissões de direitos humanos da Câmara e de meio ambiente do Senado, ao que chama de acinte e “clássico caso da raposa cuidando do galinheiro.” Ainda opina sobre o novo partido criado por Marina Silva e defende a manutenção do Senado.

Confira abaixo a entrevista na íntegra:

Deglutindo pensamentos – Nós temos o pastor Marco Feliciano presidindo da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e o senador ruralista Mauro Blaggi comandando a Comissão de Meio Ambiente do Senado. Qual é a alternativa para contrapor essa situação?

Randolfe Rodrigues – Primeiro, que os dois casos são uma acinte, é o clássico caso da raposa cuidando do galinheiro. No caso da Comissão de Direitos Humanos, o caso é ainda mais grave, porque colocaram alguém declaradamente racista para dirigir a mais importante comissão da Câmara dos Deputados. O caminho é a mobilização, sem pressão social nada vai mudar. Esse foi o caso de muitas mobilizações. Lembra a poesia do Maiakóvski: “Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim, na segunda noite, matam nosso cão e não dizemos nada, até que um dia eles roubam nossa voz e não fizemos nada porque não podemos fazer mais nada.” Essa é a última das acintes, por isso temos que ter muita pressão social.

Deglutindo pensamentos – Quando o Renan Calheiros foi eleito presidente do Senado, foi feito um movimento na internet, uma petição para pedir a saída do senador. A petição não tirou ele de fato, mas você acha que esse é um caminho?

RRÉ um caminho, mas nós não podemos ficar na frieza do computador e na comodidade da residência, do Facebook ou do Twitter. O caminho é ir além disso, o caminho é fazer mobilização nas praças, com a pressão para mudar. Por mais importante que seja a internet como meio de comunicação e democratização, a frieza de uma assinatura virtual não tira ninguém da presidência de uma instituição, tem que ter mobilização social.

Deglutindo pensamentos – Diante desses casos, muitos falam em extinção do Senado. Você defende essa possibilidade?

RR – Para isso teríamos que extinguir a Federação também. Eu não vejo uma república federativa assimétrica como a nossa, com tantas desigualdades e distorções entre regiões, sem cumprir um dos princípios da Constituição, que é o equilíbrio regional. Embora o Senado seja uma casa conservadora, a Câmara também é. Ambas são um retrato da expressão da vontade popular. Não acredito que a extinção da instituição resolva. Em uma federação desigual como a nossa, é necessário ter uma casa que retrate igualmente cada uma das unidades federadas. Não me parece que esse seja o caminho. O caminho é avançar na conscientização das pessoas. Quanto mais conscientes forem os votos, melhor será a qualidade da nossa representação.

Deglutindo pensamentos – O que você pensa a respeito do novo partido da Marina Silva?

RR – Eu não vou achar nada, porque ela mesmo definiu que não é de esquerda nem de direita. Nós somos um partido de esquerda, declaradamente de esquerda. Esse é um partido que começa com um espectro tão amplo e com declarações tão fluidas, isso é antagônico à biografias como a da própria Marina, que tem uma postura manifestamente até então ao lado dos mais pobres e dos mais fracos. Um partido que diz que não é de direita nem de esquerda, que diz ter tanta diversidade, de setores tão amplos começa limitado para a resposta à crise de identidade que se encontra a política brasileira.

Deglutindo pensamentos – Em 2012, o PSOL teve um grande crescimento após as eleições. Você acredita que o partido está tomando o rumo certo, marcando posição?

RR – O ano de 2012 foi muito marcante para nós, em crescimento eleitoral. Nós temos que galvanizar o crescimento de 2012. Eu acredito que existe um espaço enorme no coração dos brasileiros para as ideias que apresentamos. Existe um espaço enorme para uma alternativa de esquerda e esse espaço só pode ser ocupado pelo PSOL.

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