Os cinco heróis cubanos

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2 de abril de 2013 por deglutindopensamentos

Eliton FelipeFelipe

Libertad para los cinco

Libertad para los cinco

Um texto sobre Cuba e um assunto que foi além da sala de reuniões do governo daquele país. Se estendeu por todos os meios de comunicações cubanos, pelas ruas, pelas falas da população até chegar ao Brasil com o livro Os últimos soldados da Guerra Fria de Fernando Morais que aconselho a todos a leitura.

Para começar, é bom que conheçamos quem são esses cinco:

rene2007René González nasceu em Chicago, EUA, em 13 de agosto de 1956, formou-se como piloto na Escola de Aviação Carlos Ulloa, em Cuba, onde trabalhou como instrutor de voo. No inicio da década de 1990 aceitou a missão de partir para os Estado Unidos onde, secretamente, deveria conseguir informações sobre os grupos terroristas de Miami. Está preso na Carolina Do Sul sob condenação perpétua mais cinco anos de privação de liberdade pelos crimes de conspiração, conspiração para fazer espionagem e agente de um Estado estrangeiro sem ter se registrado.

gerardo-hernadez1Gerardo Hernández nasceu em Cuba, em 4 de junho de 1965. Estudou no Instituto de Relações Internacionais “Raul Roa García”, de Havana. É cartunista e humorista. Durante a década de 1990 foi para os Estados Unidos onde trabalhou como artista gráfico e cumpriu missões secretas afim de prevenir Cuba sobre ações terroristas. Preso, foi condenado a duas cadeias perpétuas mais 15 anos de privação de liberdade sob acusações deconspiração, conspiração para perpetrar assassinato, conspiração para fazer espionagem, agente de um Estado estrangeiro sem ter se registrado, e identidade falsa.. Cumpre pena na Prisão Federal de Lompoc na Califórnia.

fernando2007Fernando González Llort é nascido em Havana, aos 18 de agosto de 1963. Operário, assim como Gerardo se graduou no Instituto Superior de Relações Internacionais “Raul Roa García”, com Diploma de Ouro. Durante a década de 1990 cumpriu missões de controle e obtenção de informação sobre as atividades sobre organizações terroristas na Flórida, EUA. Preso, foi condenado a 19 anos de privação de liberdade sob acusação de conspiração, agente de um Estado estrangeiro sem ter se registrado, e identidade falsa. Cumpre pena na Penitenciária Federal de Oxford no estado de Wisconsin.

antonio2007Antonio Guerrero é nascido em Miami a 16 outubro de 1958, com um ano de idade voltou a Cuba com sua família onde estudou no Instituto Pré-universitário Vladimir Ilich Lenin, em Havana e na União Soviética, onde graduou-se como Engenheiro Civil. Foi responsável pela ampliação do Aeroporto Internacional de Santiago de Cuba. Pota, foi preso nos Estados Unidos sob acusação de conspiração, conspiração para fazer espionagem, e agente de um Estado estrangeiro sem ter se registrado. Passou Durante 17 meses e 48 dias em confinamento solitário, isolado de seus colegas cubanos e dos demais presos. Cumpre pena de prisão perpétua mais duas penas de cinco anos de privação de liberdade na Penitenciária de Florence no Colorado.

ramonRamón Labañino Salazar nasceu em Havana, em 9 de junho de 1963. Camponês, graduou-se em Economia, com Diploma de Ouro, na Universidade de Havana. Tem duas filhas. No começo da década de 90 partiu para cumprir missão nos EUA, contra grupos contrarrevolucionários em Miami. Preso, foi condenado a prisão perpétua mais 18 anos de privação de liberdade por conspiração, conspiração para fazer espionagem, e identidade falsa. Cumpre pena na Penitenciária Federal de Beaumont no Texas.

Feito isso, vamos aos fatos:

Os cinco cubanos foram condenados e presos separados em penitenciárias distintas no Estados Unidos. Porém, durante todo o processo de julgamento, o Governo dos Estados Unidos nunca pôde acusar os réus de espionagem, ou sequer conseguiu provar que a espionagem tivesse de fato existido, pois jamais foram encontrados com os presos documentos secretos que comprovassem o crime.

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Segundo a defesa dos cubanos, os presos foram enviados aos Estados Unidos na tentativa de combater os ataques terroristas realizados contra Cuba partindo de grupos radicados na Flórida. Apesar da mídia internacional fechar os olhos para os fatos, nos 53 anos de revolução a ilha teve 3.478 mortos e 2.099, feridos, em atentados a bombas em hotéis, bares e clubes para turistas e cubanos. Muitos desses ataques foram orquestrados por grupos tolerados e, em alguns casos, até parcialmente financiados pelo Governo estadunidense.

No caso de Gerardo a situação é ainda mais estranha. Acusado de conspiração para perpetrar assassinato ao estar envolvido no abatimento por dois MiG cubanos de combate que dispararam contra aviões estadunidenses, matando os pilotos e copilotos que estavam em espaço aéreo cubano sem permição para tal, mesmo com as advertencias dadas por Cuba ao governo dos Estados Unidos por várias vezes no meses anteriores ao ocorrido.

A defesa de Gerardo, assim como o governo cubano, afirma que os aviões foram derrubados em espaço aéreo de Cuba e não em águas internacionais como Washington afirma. Os Estado unidos insistem nessa questão, mas se negam a mostrar as imagens de satélite que possuem e que podem esclarecer os fatos.

Mesmo que Gerardo não tenha relação nenhuma com o ocorrido e isso, realmente, nunca foi comprovado pelos Estados Unidos, se o avião foi abatido em território cubano, perante a lei, ninguém cometeu crime.

Por incrivel que pareça, o caso foi a juízo em Miami, Flórida, mesmo local de onde partiram os ataques terroristas contra Cuba, em uma comunidade históricamente hostil ao governo cubano, o que, obviamente, impediu que os réus recebessem um julgamento justo. A sentença saiu depois de mais de seis meses de julgamento, o mais longo da história dos Estados Unidos. Foram produzidos mais de 119 livros de testemunhos, além de 20 mil páginas de documentos recolhidos, incluindo os testemunhos de militares aposentados do alto esalão das forças armadas estadunidenses, afirmando a não existência de evidências concretas de espionagem.

Apesar da não apresentação de provas que evidenciassem os atos de espionagem, 4 réus foram condenados a prisão perpétua, as primeiras pessoas na história dos Estados Unidos, a receber essa pena. Depois de 9 anos de apelação, em Agosto de 2005, uma banca composta por três juízes da Corte de Apelações de Atlanta revogou os vereditos considerando que os cinco não tiveram o direito a um julgamento justo, em Miami. Através de recurso, o Governo estadunidense solicitou a todos os doze juízes da Corte de Apelações que revisassem a decisão da banca. Acatando o desejo da promotoria, a Corte revogou, a decisão dos três juízes.

A injusta condenação começou a chamar a atenção de grupos pelo mundo. Em 27 de Maio de 2005, o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenções Arbitrárias, chegou a conclusão de que a privação de liberdade era arbitrária, visto que não possuía fundamento em lei, exigindo que o governo dos Estados Unidos retificassem e corrigissem, a arbitrariedade.

Mais de três anos depois, a Corte de Apelações finalmente retificou os vereditos de culpabilidade, exigiu que fossem revistas as penas de Gerardo Hernandez e René Gonzalez e anulou as sentenças de Antonio Guerrero, Fernando Gonzalez e Ramón Labañino, reenviando os casos à Corte do Distrito de Miami, para reconsideração e revisão da pena. A Corte de Apelações reconheceu, então, por unanimidade, a não existência de evidências do crime de “conspiração para cometer espionagem”.

Além da ONU, personalidades de todo o mundo apoiaram a causa dos cinco heróis cubanos. No Brasil, por exemplo, personalidades como Chico Buarque, Nildo Ouriques, Oscar Niemeyer (falecido no inicio do ano), Jalusa Barcelloa, Marcelo Palhares, João de Aquino, Adalberto Nunes, José Luis Salgado e Yara Varjão, se colocaram contra o julgamento. Para o ator estadunidense Danny Glover, Lutar pelos cinco cubanos é lutar pela humanidade. Antes de pensar em minha vida como artista, sinto uma responsabilidade de pensar em minha vida como cidadão”. Dez ganhadores de Prêmios Nobel, se manifestaram contra as prisões arbitrárias, entre eles o Presidente do Timor Leste, José Ramos Horta, Adolfo Pérez Esquivel, Rigoberta Menchu, José Saramago, Wole Soyinka, Zhores Alferov, Nadine Gordimer, Günter Grass, Darío Fo e Mairead Maguire.

Danny Glover e Gerardo Hernández

Danny Glover e Gerardo Hernández

No campo político, algumas instituições e pessoas que se colocaram contra foram o Senado Méxicano, assim como a Assembléia Nacional do Panamá; Mary Robinson, presidenta da Irlanda (1992-97) e da Alta Comissão de Direitos Humanos da ONU (1997-2002), o ex-Diretor Geral da UNESCO, Federico Mayor. Além de centenas de legisladores e parlamentares de todo o mundo, dentre os quais os 75 membros do Parlamento Europeu, incluindo dois ex-Presidentes e três atuais vicepresidentes desse mesmo órgão legislativo, assim como numerosas associações de advogados e de direitos humanos de diversos países da Europa, Ásia e América Latina, e personalidades internacionais e organizações legais e acadêmicas dos Estados Unidos. No Brasil, assinam 66 deputados (47 do Rio Grande do Sul e 19 de São Paulo), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O que, para mim, ficou claro com esse caso, foi que a questão não é juridica, nem nunca foi, é na verdade uma luta ideológica travada pelos Estados Unidos na tentativa de desestabilizar o governo cubano, afirmando que os dirigentes de Cuba teriam inserido “terroristas”, “espiões”, para subverter a ordem estadunidense. Quem paga por essa irresponsabilidade são os cinco cubanos que têm os seus direitos cerceados, os familiares que ficaram impedidos de ver seus filhos, pais, irmãos e esposos e, principalmente, a humanidade que é ferida novamente em seus direitos.

Deixo nesse texto a minha solidariedade com os cubanos e seus cinco heróis!

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