Conquistou o amor de amigos imaginários

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9 de março de 2013 por deglutindopensamentos

Patricia de Melo

imlklagesMe pergunto, e não é de hoje, como escolhemos quem serão nossos amigos. Afinidades físicas, espirituais, enfim, para mim funciona mais ou menos assim: eu olho bem fundo nos olhos do indivíduo, se não desviar e nem tentar me entorpecer com aquele ar de superioridade já tem alguns pontos. O aperto de mão. Bom, o aperto de mão é fundamental, para mim mostra a firmeza de todo o corpo. Um toque leve como pluma, me passa alguém que não há de ter peso também em minha vida e como pluma, segue sem deixar marcas ou saudades. Dedos firmes e seguros me dizem que o dono deles sabe bem o caminho que quer trilhar. Da voz não digo muito, talvez porque nós mesmos não tenhamos a capacidade de percebê-las cada um como é a própria (sim, há a hipótese de ser pelo fato de a minha nunca ter sido comparada a de uma cantora premiada, aliás, justamente o oposto). Pois bem, passados os olhares, apertos de mão e outras coisas sem tamanha importância me dirijo para o que, de fato, me é decisivo para eleger meus íntimos: a alma. Não a vejo, ao menos não irei confessar esse dom agora, mas a sinto. Melhor dizendo, a minha sente a outra e, as vezes, se chocam como raios caídos na terra, por outras se amam com toda a melancolia que o poeta pode tecer.

Acredito que todos sintam essa energia e, ou o espírito bate, ou se quebra. Pois bem, não vou render longas linhas para algo que é natural, quase involuntário. Quero, isso sim, tentar entender o que motiva o contrário, a inimizade e que é meticulosamente planejada. Não simplesmente não querer saber, não se importar, mas sim, querer saber, importar e até se motivar em corpo, espírito e mente a colocar pedregulhos no trajeto alheio. Se não gosto, atualmente, ignoro. Mas já tive outras fases.

Houve tempos, menos gloriosos, em que chorei a cada ofensa, via surgir dos meus prantos mares de angústias. Isso de nada me valia além de desatar, por pouco tempo, o nó que me prendia a garganta. Em outro capítulo aprendi o artifício de dar o troco na mesma moeda, mas logo compreendi que é necessário se perder em rancor para honrar com a inflação da vingança e, não demorou muito, retornei as lágrimas que me adiantavam de menos ainda, mas de modo diferente. Sinceramente não sei quantas outras fases se sucederam até esta em que, quase sinceramente, nada importa. Em que a língua de quem bajula e sorri, mas no mesmo instante se vira como laço inimigo, não representa mais nada. Que só me faz lembrar algo como uma cobra a morrer lentamente no calor do asfalto. E quantas vezes não fomos nós mesmos o corpo a fritar? Digo isto porque no caminho de me encontrar conheci muitos outros que estavam perdidos nas próprias intrigas.

Amadurecer custa caro, nos leva o ouro da vida, a maior riqueza da infância. Nos leva a ingenuidade, que é a única coisa capaz de manter o brilho nos olhos de quem quer que seja. Amadurecer significa, entre tantas coisas, perceber o egoísmo e a maldade que te cercam. Perceber que a humanidade – não como algo longe e intocável, mas aquela do cotidiano, da convivência, da coleguice, do bom dia na mesa do cafezinho – que essa humanidade vai mal. Bom, mas amadurecer significa ainda tocar a bola em frente, não esperar por nada que não brote de seu próprio esforço e, jamais, desanimar. É isso que significa, não o que aconteça e, muito menos, explica a razão que motiva a maldade.

Em dias como esses em que a angústia da raiva controlada me faz ferver o sangue eu afirmo: a amizade é um gosto muito doce para estar na boca de qualquer um, principalmente daqueles que não são amigos nem das próprias hipocrisias.

Seria injusto partir sem lembrar da maior distração disso tudo, que é o fato de apreciar, num ritual sarcástico e indigno de parabéns, as armadilhas daqueles que ainda não sentiram o menor peso da vida. É ver filme de suspense e poder avisar o mocinho e, ainda assim, deixar o vilão tramando. É olhar, como criança de cima do muro, a velha ranzinza da traição tropeçar em tudo que tomou dos outros e que não lhe cabe, pois não lhe pertence. E que continua a tropeçar e a caminhar, sem rumo que possa ser invejado. Mas, ainda assim, nada disso explica o esforço de fazer o mal, ou de simplesmente, não fazer o bem.

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