Curta curtas

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20 de fevereiro de 2013 por deglutindopensamentos

Mike Conradt

 curta-metragem

Filmes curta-metragem em geral não são famosos. Pouco falados, quase nunca lembrados e, ao contrário dos grandes blockbusters de Hollywood, impotentes na condição de “produto

Michael.bay

Michael Bay Diretor dos filme Transformers

comercializável”. No entanto, esses fatores de forma alguma podem interferir na qualidade desses. Penso até que ajuda. Um diálogo bem escrito de dez minutos pode ser muito mais interessante que duas horas e meia de explosões e robôs do espaço que se transformam em carros. Não é mesmo Michael Bay?

Um ótimo exemplo do que falo pode ser o curta Nada a declarar, de Gustavo Acioli, nome que eu sinceramente jamais ouvira falar. O roteiro é simples. Nove minutos de diálogo entre uma entrevistadora (Julia Carrera) e um suposto artista, mas com um texto espetacular. Interpretado por Bruce Gomlevsky, outro ator que eu desconhecia, temos um personagem arrogante, “homem, branco, heterossexual, com grana” e portador de um discurso que nos leva a pensar mais do que um livro didático de filosofia (o que diga-se, não é difícil).

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Gustavo Acioli

Suas respostas à repórter estão recheadas de críticas à sociedade e seu modo de vida, às massas e aos intelectuais. Trás algumas ideias já bastante difundidas, facilmente encontradas em textos, livros e filmes, como no trecho a seguir.

A novela, toda essa babaquice da TV, é tudo antidepressivo. É tudo droga, tudo tem efeito psíquico. Daí tem a dose de jornalismo que é pra dar aquele choque pra dose de novela que vem depois fazer mais efeito. E é aquele jornalismo de merda, né?! O cara tá ali sério, compenetrado, querendo se informar pra saber das coisas e tá sendo feito de palhaço, de otário, sendo manipulado, imbecilizado do mesmo jeito. É o imbecil bem informado. Tudo é entorpecente”.

O leitor já deve ter visto algo parecido em outro lugar. No entanto, há outras falas do personagem que trazem raciocínios mais “inéditos” (ao menos para mim), como quando o personagem afirma que “o próprio marxismo seria o ópio de muita gente”. Simplesmente genial.

Mas o melhor do filme fica para o final. O personagem expõe que as principais vozes da população pobre nunca passaram fome ou trabalharam em serviços braçais, induzindo à ideia de que a massa seria incapaz de andar com as próprias pernas, e que necessita de um guia, uma “babá”. E essa maneira de ver os pobres como crianças perdidas é realmente ridícula. Segue:

[…] eu ando pelas ruas. Eu vejo TV, porra! Eu vejo uma criança na rua pedindo dinheiro, isso me comove, me revolta. Mas, daí, eu vou falar o quê? Isso tá errado, isso não pode, isso me deixa triste? Vou xingar o presidente, deus e o mundo? Tá entendendo? Eu vejo o sofrimento, mas eu, particularmente, não sofro. E eu acho uma pretensão muito grande falar em nome dos pobres, falar em nome dos outros. É aquela história dos intelectuais dos anos 60, né, Cinema Novo! Falar em nome do povo. Falar pro povo as coisas que ele tem que saber pra se libertar. É ridículo! Os pobres, os discriminados, os oprimidos sabem dizer sozinhos, sabem se expressar sozinhos, não precisam da arrogância de um cara branco e bem alimentado como eu. E digo mais: estão achando suas próprias soluções[…]”

Aqui, só me resta deixar de dar “spoilers” e disponibilizar o link do curta concluindo: um filme de nove minutos pode ser interessantíssimo. E é uma pena que seja tão pouco conhecido.


http://www.youtube.com/watch?v=H34mLyobstc

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