A geração Google-lizada

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15 de fevereiro de 2013 por deglutindopensamentos

Leonardo Vicente

morteAntes de mais nada, prepare-se porque no final desse texto eu vou pedir a sua opinião. Não se assuste, não desista, continue lendo. Sei que você pode ter receio e não querer expor o que pensa, mas eu quero ver o que você tem a dizer sobre alguma coisa e imaginar a sua mente trabalhando nisso.

Tudo bem, é bem mais fácil ler algumas linhas, de forma aleatória e se convir continuar “absorvendo”, mas o fato é, querido leitor, que na maioria das vezes lemos e vemos, mas não pensamos.

Qual foi o último filme que você assistiu? Você gostou? E por quê? Você se perguntou o que te chamou a atenção ou o que te fez detestar? Fico me perguntando quantas pessoas vão a fundo na reflexão das coisas. Pode ser um filme, uma coisa simples, às vezes rápida. Você assiste dois, de repente três num final de semana, mas o que tira de bom? E de ruim? São experiências isoladas, mas que podem conter muita coisa. E podem dizer mais sobre você ou sobre a sua interpretação de mundo, muito além do que você imagina.

É um problema recorrente, um problema que está ali, mas não percebemos. Muitos de nós nos adaptamos a velocidade desenfreada da informação a nossa volta. Tudo muda muito depressa, a propaganda na TV, o telejornal, as redes sociais, os e-mails que não param de chegar. No mesmo dia abrimos muitas janelas, muitas abas, muitos perfis e blogs, mas o que realmente lemos? A nossa leitura habituou-se ao ritmo frenético, superficial, e tudo é pensado para ser otimizado, o jornal é dinâmico, a conexão é mobile e até o livro é pocket.

Não paramos para refletir, apenas consumimos a informação que ruminamos por 3 minutos e compartilhamos para os outros verem, mas no dia seguinte, esquecemos quem falou, porque falou… o que falaram mesmo? A nossa mente vai sendo boicotada em troca de acessarmos um número maior de interações, mesmo que essas sejam sem significado. Eu quero ver 300 séries diferentes, mesmo que eu não tenha chegado a conclusão de pelo menos uma.

É o frenesi virtual: eu tenho a conexão com o mundo inteiro no toque do touchscreen e não me dou o trabalho de guardar nada. E assim a cachola vai ficando vazia e as engrenagens enferrujadas.

Infelizmente é a contra-mão do que poderia ser bem aproveitado. E eu falo sobre a internet e toda a comodidade que ela nos proporciona. Podemos ler sobre assuntos variados, mas o mais interessante é que temos a possibilidade de nos aprofundarmos nos temas. Podemos pesquisar e aprender mais sobre qualquer coisa. Nossos antepassados só podiam ver a história através das pinturas nas cavernas. Hoje nós temos a filosofia ao alcance de um download.

Tudo está ligado ao comportamento. Somos condicionados a ver tudo superficialmente, mas não procuramos ir a fundo em qualquer informação. Podemos acessar 5 ,10, 15 sites e entender melhor um tema, contextualizá-lo, mas paramos nas primeiras linhas, como de fato, muitas pessoas podem ter feito nesse texto. Se fosse um vídeo, de 2 minutos, talvez tivessem assistido, já que para muitos é mais rápido e menos “cansativo”.

Todo dia, vendo tudo com apenas uma rápida olhada, nos acostumamos a não mais discutir sobre as coisas, tentar construir algo concreto, com mais informação sobre o que vemos, simplesmente absorvemos e logo depois nos desligamos, sem chegar a conclusão nenhuma.

Eu digo tudo isso, e falo da opinião, pois é muito comum eu querer exercer todos os benefícios que a conectividade proporciona. Porém, além da internet e todos os meios midiáticos que nos rodeiam, o mais importante e genuíno é o esforço próprio. O ato mais válido não é ter toda a informação e demonstrar a certeza das coisas, mas ao final ter feito o exercício da compreensão.

Uma coisa que me faz pensar sobre isso é quando tenho oportunidade de, depois de ver um filme, ou assistir uma peça de teatro, conversar com minha namorada sobre a obra assistida. Buscamos entender mais sobre o que vimos, mostramos nossas opiniões e pontos de vistas. Às vezes acertamos e vamos na mesma linha de raciocínio, e outras, tomamos direções contrárias. Acredito que isso seja imprescindível, pois dessa forma sinto que podemos embasar o que acreditamos, saber porque pensamos e aonde queremos chegar.

Afinal, o cérebro é um músculo e você precisa exercitá-lo para deixá-lo mais forte.

E então, o que você acha?

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7 pensamentos sobre “A geração Google-lizada

  1. Ivan Rocha disse:

    Esse foi o primeiro texto que estou lendo nesse blog e meus amigos que aqui escrevem podem até ficar chateados. Não me identifico muito com o “personagem” do texto, vejo poucos filmes, nenhuma série (a última que vi foi House, do começo até quase o final) e apenas um blog, este será o segundo que vou botar na minha lista de leitura. Gosto de escolher alguns poucos temas e me aprofundar neles, mesmo recebendo um bombardeio de informações de outros temas interessantes.

    Antes eu fazia como a Tuane falou, tentava convencer os amigos a fazer o mesmo que eu, mas hoje com as redes sociais, tenho procurado encontrar novas pessoas que já gostam do tema para tentar me aprofundar mais, então passo muito tempo em grupos do facebook e procurando vídeos no youtube que comentam sobre o assunto. Atualmente estou pesquisando sobre animação e até comecei a usar o google plus para encontrar lá também mais sobre o assunto.

  2. Baita texto Léo. E que não aconteça com está publicação o mesmo que você descreveu nela hahahaha Muito bom mesmo, valeu a pena a reflexão.

  3. Estefania Del Valle disse:

    Então vamos comentar, não é? Colocar a cachola para funcionar…
    Como no próprio texto e comentários percebemos que nossa atenção é sempre dividida com outras abas, mas neste momento, me senti até um pouquinho diferente deste universo de amostras informado no texto: Desliguei o podcast que estava escutando para poder dar atenção ao texto, algo não muito comum com a maioria das pessoas.
    Não me sinto especial por isso, até por que sou mulher e conseguiria tranquilamente dar conta de mais de uma coisa por vez (hehe).
    Sempre fui muito curiosa e falastrona, com o acesso a internet, sempre pesquiso tudo o que posso para sempre poder ter o mínimo de informações sobre determinado assunto, tanto por curiosidade quanto para que se um dia alguém vir conversar comigo sobre o assunto eu saber do que se trata. Adorava pesquisa de trabalhos de colégio desde a época da Barsa e com a internet, facilitou minha vida =).
    Tenho uma amiga que sempre tira onda com a minha cara quando vou explicar sobre algo. Certo dia, ela indagou para o vento: Por que será que o cabelo arrepia com pente de plástico? Eu sabia a resposta, e comecei a explicar quando ela riu e disse: OK Estefania, Ok, não to interessada.
    Eu adoro me aprofundar nos assuntos, mas sei que isso é característica de poucos. Às vezes me indigno com a superficialidade das “coisas” atuais, mas mesmo assim consigo lidar com essa realidade e parar para pensar que as vezes é necessário se adaptar.
    Não costumo escrever muito (é porque escrevo mal, por isso), esse comentário é um baita exercício. Penso mais que escrevo, precisa ver os debates entre o tico e o teco na minha cabeça.
    Beijos Léo, ótimo texto!
    Parabéns =)
    Obs: nunca fiz um comentário tão grande, confesso!

  4. luiz disse:

    po cara, d+ esse texto… eu vejo pela música, antes eu ouvia o album inteiro pq comprava o cd ou o vinil e agora baixo o disco inteiro e muitas vezes escuto apenas os “hits” do artista, quer dizer chega em um nível que tu enche teu mp3 player de sons e banda deixa tocando e nao se da conta de que artista ta tocando e tal… ou seja sai na via gastronomica com uma marmita e vai enchendo com comida japonesa, mexicana, pizza, churrasco, é foda

  5. tuaneroldao disse:

    Gostei muito, Leo! Creio que cumpre perfeitamente o papel de fazer o leitor pensar e repensar seus hábitos.

    Curti particularmente este trecho: “Podemos ler sobre assuntos variados, mas o mais interessante é que temos a possibilidade de nos aprofundarmos nos temas. Podemos pesquisar e aprender mais sobre qualquer coisa. Nossos antepassados só podiam ver a história através das pinturas nas cavernas. Hoje nós temos a filosofia ao alcance de um download.”

    Já perdi a conta de quantas vezes li sobre algo interessante, pensei em pesquisar mais sobre o assunto e acabei deixando de lado porque outra informação estava pulando na tela. Me fez refletir bastante, de verdade.

    E, no final, você conseguiu apontar justamente algo que me incomoda: a falta de alguém para conversar sobre. Ultimamente, tenho assistido a poucos filmes e muitas séries, aí faço minhas amigas verem as séries também para podermos falar sobre depois. É mais difícil fazer isso com filmes. Mas, certamente, é um hábito que devemos adotar com mais frequência, justamente para exercitar a mente a aprimorar o senso crítico.

    Parabéns pelo texto!

  6. Vinícius disse:

    Acho que cada vez mais nós estamos entrando num esquema de quase-leitura dinâmica (quase sempre ineficiente) por uma ilusória falta de tempo em que nós mesmos criamos. Geralmente quem não faz nada acaba sendo ocupado demais pelo próprio ócio, tal como quem tem o dia cheio acaba se organizando pra fazer as coisas de forma mais eficiente/encaixar o tempo entre uma tarefa e outra (não é regra). Por essa pressa preguiçosa de ler, acabamos tirando conceitos-outdoor (termo inventado meu =p) do mundo e acabamos não nos aprofundando em boa parte das coisas que poderíamos.

    Também tem um outro lado, que é o problema da tsunami de coisas ao mesmo tempo que tentamos fazer. Por exemplo, tentar ler um texto enquanto fala com o colega de trabalho, responde emails e confere o facebook. Praticamente uma vida de Alt+Tab.

    Prova disso é que já perdi o foco do que ia falar umas três vezes por alguns dos motivos acima.

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