Pelas ruas

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4 de fevereiro de 2013 por deglutindopensamentos

Alexandre Perger

Rua dos valentes - CópiaA rua, sei que João do Rio já a imortalizou na sua obra “A alma encantadora das ruas”, mas lhe peço licença para falar mais sobre ela, tão democrática, tão faceira, tão abandonada, tão primordial. Na rua, passam negros, pobres, ricos, brancos. A rua é de todos, é da multidão que se cala, do pedinte, do passante, do ambulante, da mulher que grita, do índio que vende, da criança que pede. Tem espaço para todos na rua e ela, orgulhosa, escuta com tamanha paciência, que parece a mãe dos desassistidos, porque só ela lhes dá espaço.

Caminhando na rua, as pessoas se olham, estranhas, não se conhecem, mas a rua conhece todas, por nome, sobrenome e endereço, até idade, talvez. Não somos anônimos em suas calçadas, somos alguém em seu asfalto, calçamento ou barro. Nós, humanos insensíveis, não sentimos o respirar da rua, o latejar de sua terra que nunca adormece, companheira dos amantes sem sono, que vagam pela noite a sonhar.

Quando me deparo com a rua, me sinto um louco, que a corteja e, nos mais íntimos detalhes, olha a rua de ponta a ponta, sem deixar escapar um único suspiro. Me pego a contemplá-la, toda nua e sem pudores, a rua, que não tem vestes, suas vergonhas ficam expostos em cada esquina, viela, na pele de um travesti a procurar clientes ou do viciado que inala o cheiro da rua. Somos todos voyeurs, a olhar pra rua, imaginando as coisas mais sórdidas que rodam como filmes em nossa imaginação pura como a de um anjo sem asas.

As ruas têm cheiros, texturas, sons, são curvas, retas, pequenas ou avenidas. No fim, são todas iguais, com suas calçadas, canteiros, flores, árvores e com os sujeitos que nela vivem. Não tenham medo da rua, ela não engole ninguém, é um sopro pros desesperados e a esperança dos humildes. Se uma rua lhe surgir ao alcance da visão, não lhe ignore, nem se preocupe em fazer silêncio, pois ela é a expressão do caos humano, em suas veias correm as águas mais sujas, tudo aquilo que queremos esconder, colocamos embaixo da rua.

Daqui a pouco, chego à rua, vou pegar a primeira, entrar à direita, atravessar outra rua, entrar à esquerda e ir embora. Digam ao certo o que querem da rua e ela lhe ajudará, pois é piedosa e humilde. Como disse João do Rio: “Ora, a rua é mais do que isso, a rua é um fator de vida das cidades, a rua tem alma!”

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