Viajante quase sem rumo

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31 de janeiro de 2013 por deglutindopensamentos

Alexandre Perger

DSC06100-2Vinda de longe, muito longe, mais precisamente de Belém do Pará, Dalva se intitula hippie e viaja pelo país vendendo artesanato de fabricação própria. Vestindo casaco e calça jeans, sem se importar se está ou não combinando, a mulher de 49 anos e vários quilômetros de estrada vive um estilo de vida fora dos padrões da sociedade. Tal escolha já lhe rendeu muitas histórias de preconceito, que ela releva e segue o fluxo sem se importar com comentários. Em Joinville, mora num hotel e paga 15 reais por noite, a custo de muita conversa com a proprietária, que fez um desconto de 5 reais e ainda colocou uma televisão no quarto. “Acho que ela gostou de mim, até me chama para almoçar com ela aos domingos”, conta a hippie, com um sorriso de quem está de bem com a vida.

Dalva veio parar em Joinville por causa de uma das seis filhas, que mora em Florianópolis. “Vim passar um tempo, mas prefiro ficar em Joinville. Gosto mais das pessoas daqui”, revela. Segundo ela, a Capital não é muito próspera para os negócios do artesanato, pois é uma cidade para turistas, que nessa época do ano não costumam aparecer. Há dois meses na maior cidade de Santa Catarina, ela escolheu a Praça Nereu Ramos para colocar a barraquinha e oferecer seus brincos, colares e pulseiras. Passa o dia por lá e depois volta para o hotel, que fica próximo a rodoviária.

Simpática e sorridente, Dalva fez vários amigos na praça, desde mendigos a moradores da região. Enquanto falava sob efeito do vinho, que bebia com alguns jovens, passou uma de suas conhecidas, uma mulher que passeava com o cachorro. O contato foi rápido, apenas se deram oi e desejaram boa noite uma para outra, mas foi suficiente para perceber que havia respeito naquela relação tão distante. Mesmo com os vários amigos, Dalva confessa, aos pedidos de desculpas, que considera as pessoas em Joinville mais fechadas e diferentes das que encontra pelos outros cantos do Brasil, que conheceu a muito custo e a pedaladas, como na vez que foi de Belém a São Luis. “Foi uma experiência bacana. Encontrei um pessoal do MST pelo caminho e os de lá não muito amigáveis não”, lembra e depois ressalta que não tem nada contra o pessoal que luta pela reforma agrária. Aliás, ela não tem nada contra ninguém e sua filosofia é de que todos são iguais e por isso merecem o mesmo tratamento.

Com uma consciência política de dar inveja e muito estudiosa, a mulher divaga sobre a vida em sociedade e as experiências pelas quais já passou. “Cheguei a trabalhar numa empresa, mas não consegui ficar mais que dois meses”. A exploração e a hipocrisia fizeram Dalva optar por viajar pelo país. 

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2 pensamentos sobre “Viajante quase sem rumo

  1. Luciane disse:

    Gostei da história da Sra Dalva, mas lamentei o fato de não ter a foto dela. gostaria de conhecer seu rosto. abraços e parabéns pelo blog.

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