Pastores e rebanhos

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30 de janeiro de 2013 por deglutindopensamentos

Mike Conradt

Cerca de 6 milhões de judeus assassinados. É um número expressivo, que todo mundo conhece. Além destes, outros grupos nem sempre lembrados, como ciganos, polacos, comunistas, anarquistas e minorias religiosas passaram a ser enviados aos terríveis campos de concentração, a partir de 1934. Lá, eram forçados a trabalhar. A expectativa de vida nesses lugares era de nove meses. Os prisioneiros eram desnutridos e torturados. Quando não tinham mais condições de trabalhar, exterminados nas câmaras de gás, e os corpos incinerados.

Falar dessas atrocidades já se tornou tarefa inútil, simplesmente por que todo mundo já está cansado de ouvir essas histórias. Televisão, cinema, livros… Existe um material enorme relacionado aos ocorridos nos campos de concentração localizados na Alemanha e Leste Europeu. Criticar Hitler e suas políticas ultra-direitistas se tornou há muito tempo um clichê enorme. Acusar de clichê as críticas ao ditador alemão, também. Hoje não faremos isso.

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Prisioneiros em Campo de Concentração Nazista

Começaremos com uma questão: como os cidadãos alemães foram capazes de permitir tamanhas atrocidades sem reagir? Essa pergunta foi feita por uma aluna de ensino médio ao seu professor de história Ron Jones, em 1967, na cidade de Palo Alto, na Califórnia. Ele simplesmente não soube responder.

Mas nos dias seguintes, iniciou um experimento social com sua turma que tomaria proporções enormes. Começou ensinado postura, respeito. Depois disciplina. Posteriormente, lições de união para a classe. Sob o argumento de que juntos, seriam mais fortes, o professor criou um nome para o grupo: A Terceira Onda. Criou-se uma saudação, um slogan, um símbolo, e até uma “polícia”. Os alunos tinham permissão para vigiar uns aos outros e “denunciar” quaisquer comportamentos que pudessem comprometer o movimento.

Os estudantes rapidamente aderiram a ideia, e o movimento cresceu exponencialmente em pouquíssimo tempo. Dos 25 alunos inciais, o grupo passou a contar com 300 membros no quinto dia. A coisa realmente saiu do controle. Um aluno chegou a perder a mão construindo explosivos.

Depois de muitos questionamentos e apelos dos diretores e sua esposa para que o movimento chegasse ao fim, Ron Jones concluiria a sua lição. “Revelou” aos alunos que o movimento era muito maior, e haviam outras “filiais” por todo o território estadunidense. Ron apresentaria o grande idealizador aos seus alunos. Reuniu todos no auditório do colégio e eis que surge no telão o grande líder, ninguém menos que Adolf Hitler. Para desânimo de todos, o professor explicou que tudo não passava de uma experiência, e prova que qualquer grupo de pessoas pode ser manipulado para fins pessoais ou de uma classe dominante. É só fazer o grupo se sentir superior, como Ron fazia.

“O fascismo está em cada um de nós”, afirmou para seus alunos.

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Cena do filme The Wave, 1981

Apesar de ensinar uma importante lição aos estudantes sobre o pensamento de grupo, o professor foi demitido e proibido de lecionar em escolas públicas, devido às consequências que trouxe o movimento. A história acabaria virando um média-metragem feito para a televisão, intitulado The Wave, de 1981. Aos que desejarem assistir o filme, disponibilizo o link do YouTube aqui.

Outro filme foi lançado anos depois, em 2008, com o mesmo título (no idioma alemão). Conta basicamente a mesma história, embora adaptada para a Alemanha dos dias atuais.

Precisamos frisar que a Alemanha Nazista e a turma de Ron Jones não são os únicos exemplos de manipulação de massa. Convivemos com isso no dia-a-dia. Televisão, fãs que seguem a ideologia fajuta de certo artista, ou fiéis de alguma igreja que os faz se sentirem privilegiados, por serem os únicos que “encontrarão a salvação”. Os exemplos não param por aí. Participar de um determinado grupo pode fazer o indivíduo se sentir superior em relação aos que não participam. É o grande fundamento utilizado pelos “pastores” (não só os de igreja) capazes de controlar enormes “rebanhos” de pessoas, em uma metáfora boba. É nisso que se apoia o fascismo. É nisso que devemos ter cuidado. Afinal de contas, o fascismo está em cada um de nós.

 

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