A ARENA dos sonhos de uma juventude reacionária

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20 de janeiro de 2013 por deglutindopensamentos

Erico Brito

A notícia choca os mais atentos. No dia 13 de novembro de 2012, foram publicados no Diário Oficial da União o estatuto e programa do que pode ser o mais novo partido político do Brasil. O nome não é novo. Aliança Renovadora Nacional. ARENA. O mesmo nome do partido criado para dar sustentação política à ditadura vigente no Brasil de 1964 a 1985. A que veio este partido? Quem são as pessoas que estão fundando-o?

Cibele Bumbel Baginski  © Jefferson Bernardes 26JUL12

Cibele Bumbel Baginski

A partir dos questionamentos acima, começam as surpresas. A presidenta do partido (e, aparentemente, a principal figura no contato com a imprensa) é a jovem Cibele Bumbel Baginski, de apenas 23 anos. Jovem engajada, estudante de direito, já é praticamente uma subcelebridade da política no meio virtual. Segundo entrevistas que ela concedeu a diversos sites, o objetivo não é o totalitarismo, mas sim, a construção de uma direita democrática. Será?

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Empresariado levando vantagem sempre

Um aspecto pouco lembrado sobre um dos períodos mais cruéis de nossa história é que a ditadura militar não foi somente militar; uma parte poderosa da sociedade civil apoiava e endossava os desmandos do regime. Esta parte poderosa é o empresariado.

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Henning Albert Boilesen

Um personagem emblemático deste período é o dinamarquês Henning Albert Boilesen. Boilesen chegou ao Brasil casado com a filha do embaixador da Dinamarca, e logo fez fortuna. O ápice da sua carreira foi a presidência do grupo Ultra (Ultragaz). O industrial era o responsável pela “caixinha”, ou seja, o recolhimento de valores junto ao empresariado para financiar as operações da OBAN (Operação Bandeirantes), grupo paramilitar que torturava e executava militantes e opositores do regime. Cabe ressaltar que Boilesen apreciava comparecer pessoalmente às sessões de tortura…

Boilesen era só a ponta do iceberg. Ele mostrava a cara, não se intimidava com ameaças das organizações de esquerda. Até que foi morto numa ação bem sucedida da ALN. Mas não era só ele e o grupo Ultra que contribuíam para o sustento financeiro do terror. Várias outras empresas e empresários também faziam o mesmo, mas de maneira discreta. Não se expuseram. A parte da sociedade civil que sustentou o regime não tem rosto.

No ano de 2012, o Banco do Brasil publicou uma apostila para seus funcionários no qual tratava militantes de esquerda (como Marighella e Lamarca) como terroristas e assassinos. Após denúncias e ação sindical do Sindicato dos Bancários de São Paulo, a apostila foi retirada da intranet do BB. Ninguém foi responsabilizado. A empresa admitiu o erro, retirou o trecho, mas o autor permaneceu sem rosto.

Esse é o modus operandis da direita. Mascarar seus verdadeiros agentes, ou a maior parte deles, faz parte do jogo, da sua política suja e rasteira. O que falar do Instituto Millenium, o principal think tank da direita hoje no Brasil? A ótima reportagem da Carta Capital no mês de dezembro desvendou alguns dos principais nomes por trás desta instituição. Mas o mais importante é esconder seus rostos, agir nas sombras.

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Cibele Bumbel Baginski

E qual a relação destes exemplos com a nova ARENA? Comecemos pela sua obscura (re)fundação. Nada se sabe de seus membros, seus apoiadores. Só se sabe que quem está se expondo é sua presidenta. Um partido sem base social, cujos contatos se dão principalmente por meios virtuais, através da internet. A impressão que passa é a de que alguém (ou vários “alguéns”) estão manipulando a garota para não se expor. Será que avisaram para a jovem que, na época da ditadura, ela não poderia ser presidenta deste partido? Afinal, além de civil, ela é mulher!

De acordo com o estatuto do pseudo-partido, eles são contra todos os tipos de cota. É questão de tempo para a Srta. Baginski ser discriminada no meio político pelo simples fato de ser mulher. Logo ela irá entender a necessidade das cotas na própria pele. Mas o que causa mais estranheza é que a garota é bolsista do PROUNI! Deliciosas contradições, fruto próprio da juventude…

Ressuscitar a ARENA, não é somente ressuscitar um partido político ultrapassado. É ressuscitar a hipocrisia de alguns setores da sociedade. É ressuscitar a famosa Lei de Gérson, pois gosta de levar vantagem em tudo. É o verdadeiro reflexo da classe dominante saudosista, e da classe média medrosa pela ascensão social dos mais pobres.

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Cibele Bumbel Baginski

Ela só tem 23 anos. Quase o mesmo tempo de vida da ditadura, que durou 21. O mundo dos sonhos dessa juventude reacionária vai se tornar seu pior pesadelo. A Srta. Baginski não vai mais poder jogar seus RPG, que serão considerados subversivos. Seus queridos mangás e animês serão banidos, em nome da preservação da cultura nacional. Será ridicularizada pelo piercing que carrega nos lábios, pois é um ataque aos bons costumes. Não poderá colocar seu sobretudo preto, no estilo gótico, pois ofende os bons cidadãos. Ela só tem 23 anos. Vai sofrer, se desgastar se expondo, enquanto outros estão aguardando o momento de agir nos bastidores. E neste dia não vai sobrar nada para a Srta. Baginski. A não ser o arrependimento.

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